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E o Cine Holliúdy na telinha? Francis, Marilyn e a Evita do sertão, bom demais

Luiz Carlos Merten

25 de julho de 2019 | 15h08

Leandro Nunes me anunciou e Ubiratan Brasil confirmou que O Auto da Compadecida de Gabriel Vilela estreia em São Paulo no dia 8. Uau! Estou louco para ver, mas quero agora usar o texto de Ariano Suassuna revisto pelo Gabriel para falar sobre a obra de outro criador nordestino que me encanta. Não estou comparando ninguém, mas adorei Cine Holliúdy 1 e 2, mais até o segundo, A Chibata Sideral, e estava no hospital quando começou a série de TV adaptada pelo próprio diretor e roteirista Halder Gomes, um cearense arretado da porra. Vi os dois, não, três primeiros episódios e depois, já em casa, comecei a negligenciar. Via um, perdia outro. Mas fiz questão de assistir ao último episódio dessa temporada – esta semana – e estou torcendo para que a série permaneça na grade da Globo. Não sei das reações, mas gostando do Francisgleydisson de Edmilson Filho como já gosto, adorei o aporte que o personagem teve na telinha. O prefeito Olegário de Matheus Nachtergaele, a Socorro de Heloisa Perissê – que o prefeito lançou como candidata à sua sucessão: a Evita do sertão! -, o assessor de Gustavo Falcão (Jujuba) e a irresistível Marilyn de Letícia Colin encheram minhas noites e até me obrigaram a permanecer em casa mais vezes que gostaria. Êta, lindeza. Parei, fiz agora uma pesquisa e descobri que, no conjunto audiência e repercussão, Cine Holliúdy se despediu como a melhor série do ano na Globo, registrando média de 23 pontos, mais do que Sob Pressão (22), Assédio e Carcereiros (14 cada). Fico muito feliz de que o cearensês legítimo de Halder tenha sido assimilado pelo público global e que o olhar afetivo e humorado que ele tem para o cinema de gênero, e o cinema em geral, toque a massa como toca a mim. O sonho final de Francis, com o fusca arriado no meio do sertão – e topando com suas criações -, encheu minha alma. Gostei demais da Perissê e, quando falei com Letícia Colin, para o início da série, ela me chamou atenção para o timing de comédia do Halder, dizendo que poucos diretores eram tão bons na elaboração do gag verbal ou visual, propondo a piada, estimulando o ator a servir-se dela e o ajustando (o comediante) ao seu interesse. Aquele olhar meio enviesado de Marilyn e o jeito sexy de sacudir a cabeleira loira valem um 10 para a Letícia. Guria boa! Desde A Máquina, acho que Gustavo Falcão também não era tão solicitado, e valorizado. Esse Halder não é mole. Espero que Cine Holliúdy tenha sobrevida na Globo, ou seja, nova temporada, mesmo que isso signifique não ter o 3 nos cinemas.