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E o Brasil fez o rapa no Teddy!

Luiz Carlos Merten

25 Fevereiro 2018 | 09h10

E o Brasil fez o rapa na premiação do Teddy Award, que contempla a produção LGBT da Berlinale. Venceu como melhor longa e melhor documentário – Tinta Bruta, da dupla gaúcha Márcio Reolon e Filipe Matzenbacher, que já havia sido premiada em Berlim com Beira-Mar, e Bixa Travesty, de Kiko Goifman e Cláudia Priscilla. Outros documentários brasileiros também se saíram muito bem. Ex-Pajé, de Luiz Bolognezi, por quem tenho admiração e carinho infinitos, ganhou menção como melhor doccumentário; Aeroporto Internacional, de Karim Ainouz, venceu o prêmio da Anistia Internacional; e O Processo, de Maria Augusta Ramos, ficou em terceiro, para o público, na competição de documentários da mostra Panorama. Não creio que conheça a artista transexual Linn da Quebrada, mas só o fato de ela se definir como bicha, preta, trans e periférica já faz de Linn uma figura e tanto, e o filme, para ser premiado, tem de dar conta dessa riqueza – ia escrever complexidade, mas quem de nós não é complexo? Pergunto-me quantos desses filmes Amir Labaki conseguirá trazer para o É Tudo Verdade. Teríamos – teremos? – uma competição e tanto. O júri presidido por Tom Tykwer também teve um olhar sensível para a produção latina e contemplou o paraguaio Las Herederas, de Marcelo Martinessi, que tem aporte brasileiro, com o Urso de Prata de melhor ateriz e o Alfred Bauer Preis por sua inovação, prêmio que gostaria muito que Praia do Futuro, de Karim Ainouz, tivesse recebido anos atrás. Tykwer e seu júri premiaram com o Urso de Ouro o longa romeno Touch Me Not, da estreante Adina Pintilie, que pode ter – vou pesquisar – parentesco com Lucien Pintilie, uma figura histórica (e transgressora) do teatro e cinema do antigo Leste europeu. Leio que Touch Me Not aborda a sexualidade sem frescura. Foi uma Berlinale gloriosa para o cinema brasileiro, e pelo visto não apenas. Maldito joelho. Pela primeira vez, em quantos anos?, não estava lá. Preciso melhorar para não perder Cannes, também.