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E o Augusto Matraga de Vinicius Coimbra está ainda melhor…

Luiz Carlos Merten

18 de setembro de 2015 | 10h05

Na quarta-feira, fui rever A Hora e a Vez de Augusto Matraga e achei o filme de Vinicius Coimbra ainda melhor. Com o Clint, American Sniper, o Eryk Rocha, Campo de Jogo, e o Felipe Barbosa, Casa Grande, mais os dois latinos, o peruano (Casadentro, de Joanna Lombardi) e o cubano (Numa Escola de Havana, de Ernesto Daranas), o novo Matraga está garantido entre meus dez mais do ano. Matraga venceu o Festival do Rio há três anos. Será uma estreia pequena para a grandeza do filme – 20 salas, apenas. Vinte! Na sequência, Vinicius Coimbra estará estreando, em 5 de novembro, o seu Macbeth – A Floresta Que se Move, que antes passa pelo Festival do Rio e pela Mostra de São Paulo. Falei ontem com Vinicius e estava louco para postar, mas aí morreu o Carlos Manga e eu confesso que fiquei meio paralisado, viajando nas minhas lembranças da chanchada. Não só nas grandes chanchadas do Manga – Nem Sansão nem Dalila, Matar ou Correr, O Homem do Sputnik. Nas do Watson Macedo, também – Carnaval no Fogo, Aviso aos Navegantes, O Petróleo É Nosso. Uma das minhas cenas imorredouras de filmes brasileiros, daquelas que não esqueço nunca, é de Violeta Ferraz fincando pé – O petróleo é nosso! – no desfecho da chanchada que se integrou à campanha da esquerda da época, meados dos anos 1950, pela criação da empresa petrolífera nacional, a Petrobrás. Logo em seguida, Macedo fez Carnaval em Marte, também com, Violeta Ferraz e, com todo respeito por Oscarito e Grande Otelo, eu ria mesmo era com ela. Impagável, a Violeta! Volto a Matraga. Quando digo que achei o filme melhor me bateu que o diretor havia mexido nele. E mexeu. Não remontou, nada disso, mas Vinicius me disse que baixou a trilha e avolumou o diálogo, para que o fraseado do Guimarães Rosa ganhasse mais força e sonoridade. Acho que vou voltar à APCA este ano só para tentar garantir que João Miguel e José Wilker sejam os melhores atores do ano. Coisa de louco! Ontem pela manhã, fui a outra cabine, a de Samba, o documentário de Georges Gachot em que Martinho da Vila nos ciceroneia pela escola Unidos de Vila Isabel e pelo universo musical de raiz brasileiro. Que trabalho bonito! Cheguei a chorar de emoção. E o ‘velho’ Martinho está cantando cada vez melhor – separando e sincopando as frases das canções, coisa linda. Vou ter de voltar ao Matraga, ao Gachot. Agora, tenho de correr ao cinema, para a cabine de imprensa de ‘não-sei-o-quê em Marte’, com Matt Damon. Depois eu conto!

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