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E o arco-íris? Renee Zellweger como Judy, no caminho do Oscar

Luiz Carlos Merten

11 de janeiro de 2020 | 11h18

Graças a uma gentileza da Maria Inez, consegui assistir, nesta semana, na cabine da Paris, a Judy. Renee Zellweger está excepcional no filme que lhe valeu o Globo de Ouro de melhor atriz de drama. Faz Judy Garland na fase final da vida, fazendo shows em Londres para tentar reerguer a vida econômica e brigar pela guarda dos filhos, que vivem com o pai, em L.A. O filme mistura passado e presente. Judy garota no set de O Mágico de Oz e o poderoso Louis B. Mayer colocando-a contra a parede. O que ela quer ser – o sonho de milhões de garotas como ela, na América, ou se converter numa dona de casa sem graça, fracassada? O que faz a diferença, no caso dela, diz Mayer, é a voz e, para transformá-la em estrela, Louis B. faz dela uma dependente. Pílulas para tudo. Não ter fome, energizantes, para não dormir, para dormir, para dor, para mal-estar. E os maridos – Rene/Judy tem uma frase boa. ‘Só como bolos quando estou me casando com algum idiota.’ Renee fez aquilo que a Academia gosta. Incorporou Judy fisicamente, ficou igual a ela. Emagreceu até ficar anoréxica, canta. Ou melhor – dilacera-se. Tem a garota, e tem a mulher adulta. Tem Londres e os fãs gays, porque Judy virou ícone. Filha de bicha, informa o diálogo, casada com Vincente Minnelli, que devia ser bi. Uma vida de fantasia, de solidão, de engano. O filme é sobre o que resta no fim do arco-iris. O que resta do amor, da auto-estima, do sonho, quando tudo acaba? Confesso que assistindo ao filme de Rupert Goold pensei muito no último trabalho da própria Judy. Na Glória, a Amargura – I Could Go on Sining, Eu Poderia Seguir Cantando (no original), de Ronald Neame. Judy como uma cantora decadente que volta a Londres para tentar a guarda dos filhos, que vivem com o pai – Dirk Bogarde. Mais autobiográfico, impossível. Até onde me lembro, Judy cantava se despedaçando. Tornara-se impossível, totalmente instável. Não cumpria horários nem compromissos, ninguém queria segurá-la. Ficou, do ponto de vista da indústria, imbancável. Mas, como aquela judia sobrevivente do Holocausto que depõe no Julgamento de Nuremberg – título do longa de Stanley Kramer – foi indicada para o Globo de Ouro e o Oscar de coadjuvante. Foi a professora que se compadece das crianças especiais de Minha Esperança É Você, de John Cassevetes, e a luta de Burt Lancaster era justamente contra esse sentimento que não ajuda nada. Foram papeis baseados na vulnerabilidade de Judy, e ela arrasa. Com Neame, era ela, no espelho. É um diretor subestimado, mas que tem bons filmes – importantes – no currículo. Ainda nem saiu a lista de indicados – na segunda, 13 -, mas Renee já virou favorita para o Oscar, que já levou, o de coadjuvante (por Cold Mountain, de Anthony Minghella, em 2004). Falta falar do arco-íris. Judy ganhou no Brasil o subtítulo Muito Além do Arco-Íris. O tempo todo o espectador pergunta-se – e Over the Rainbow? Calma, gente, vejam o filme. Vale a espera. Fiz uma pesquisa e verifiquei que Rupert Goold é diretor de teatro. Percebe-se (por seu trabalho com o elenco).

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