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E o Agente da U.N.C.L.E., hein? Esse Henry Cavill não é fraco, não

Luiz Carlos Merten

21 de agosto de 2015 | 10h23

Viajo domingo para o Rio para entrevistar na segunda-feira Armie Hammer e Henry Cavill, a dupla de O Agente da U.N.C.L.E. Robert Vaughn e David McCallum interpretavam Napoleon Solo e Illya Kuriakin na série de TV dos anos 1960, que teve, entre seus criadores, Ian Fleming, o pai de 007. Vi alguns episódios. Eram diferentes da versão de Guy Ritchie. Illya era mais interiorizado, não possuía, até onde me lembro, as qualidades atléticas e esportivas que marcam Armie Hammer no papel. Archer bate, corre, joga xadrez. McCallum era mais o xadrez. McCallum e Susannah York faziam os principais pacientes do dr. Montgomery Clift em Freud, Além da Alma, de John Huston. McCallum era bom criando neuróticos atormentados. E era casado com Jill Ireland e aí foram filmar, ele foi filmar, com Charles Bronson – acho que era Fugindo do Inferno/The Great Escape, o clássico de ação de John Sturges. O cara de pedra tomou-lhe a mulher e ficou casado com Jill até a morte dela, de câncer, décadas mais tarde. Sorry, mas sempre achei a história de amor de Charles Bronson linda. Pobre McCallum. A trama de amor e traição foi contemporânea do affair Elizabeth Taylor/Richard Burton, mas não teve tanto peso na mídia. Federico Fellini retratou o fenômeno dos paparazzi em A Doce Vida, que está de volta em cópia restaurada, mas eles nunca foram mais ativos em Roma durante a filmagem de Cleópatra, tentando conseguir os flagrantes do adultério, Divago. Queria escrever que não sei o que ocorre comigo. Há dois ou três anos, escrevi no blog que Henry Cavill era o melhor ator do ano pelo Superman de Zach Snyder, mas, claro, a Academia de Hollywood jamais iria reconhecer isso. O cara tem de fazer algum tortinho para provar que é bom ator. Hollywood, nesse sentido, me cansa. De volta a Henry Cavill, há algo nele que me comove. É um cara bonito, mas tem os olhos tristes e o equivalente masculino da boca amarga de Jeanne Moreau. A relação de Cavill/Napoleon com Hammer/Illya começa de antagonismo em O Agente da U.N.C.L.E. Enfrentam-se, dão porrada. Param para conversar, para se conhecer. Napoleon cospe na cara do outro a vergonha familiar. Pai corrupto, mãe vagabunda. Não temos o mesmo relatório dos pais dele, mas, obviamente, é um cara com problemas. Rouba e vive falando de sua habilidade para preencher vazios, aquele vazio. É bom de cama, um ladies man, mas não cria laços afetivos. Faz o que é preciso. Comer, no sentido bíblico, e matar é a mesma coisa. Mas há um desgosto no olhar de Henry Cavill. Sua ligação afetiva será com Illya. A cena do salvamento debaixo d’água é admirável como a da ópera (Turandot) em Missão Impossível – Nação Fantasma. (Será que meu amigo João Luís Sampaio já viu?) Tem gente que não pensa nada disso vendo um filme como O Agente da U.N.C.L.E. Eu penso. Guy Ritchie pensou também. Com certeza. Fui ver outro dia o novo Hitman – Agente 47. Havia achado o anterior bem legal, e não me surpreendeu nem um pouco que Timothy OIyphant tenha feito carreira, na sequência, numa série de TV. Como não vejo série, não sei qual é, ou foi. Olyphant tinha umas cena de sexo bem tezuda com Olga Kurylenko, de quem sou fã de carteirinha. No novo Hitman, as lutas são estilizadas, violentas, mas a relação do Agente 47 com a ‘mocinha’ é agora familiar, de outra natureza. Achei legal, mas aí veio U.N.C.L.E. e… Bye-bye, Agente 47. Não desprezo blockbusters, mas há os descartáveis e os que ficam. Não descartei ainda Jurassic World, com a relação entre irmãos e o casal hawsiano formado por Chris Pratt e Dallas Bryce-Howard. Achei Quarteto Fantástico bem interessante e devo ter sido o único, porque o filme foi um fracasso monumental em todo o mundo. Enquanto esperava pela sessão de imprensa de Agente 47, que atrasou mais de uma horas, ouvi todas as histórias de bastidores, como o diretor Josh Trank não tinha rumo e o talentoso ator de Whiplash, Miles Teller, é um ser humano abominável, que todo mundo está amando odiar em Hollywood. Na tela, o filme tem rumo, não o que os fãs dos quadrinhos ou os produtores talvez quisessem para virar mega-hit, mas bem interessante, e o ator é bom, senão ótimo. Mas aí veio U.N.C.L.E. e… De novo, Bye-bye Quarteto. Pode não interessar a ninguém, mas querem saber o filme que mais quero ver? Batman vs. Superman, ou é o contrário? Superman vs. Batman? O surgimento da Liga da Justiça. Henry Cavill na cabeça, Zach Snyder atrás das câmeras. Só com cataclismo esses dois me decepcionam.

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