As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

E não é que o filme é bom? Chatô reinventa Kane com enredo tropicalista!

Luiz Carlos Merten

12 de novembro de 2015 | 15h11

Ainda não consegui postar sobre o novo James Bond, que revi na segunda-feira à noite com meus amigos Dib Carneiro, Gabriel Villela e Cláudio Fontana. Gostei mais ainda de 007 Contra Spectre e, se tinha alguma dúvida em colocar o filme de Sam Mendes entre meus dez mais do ano, elas se dissiparam. Mendes é homem de teatro e cinema, e Gabriel fez uma análise muito interessante da ‘teatralidade’ das suas cenas de ação, inclusive a inicial, sobre a festividade do Dia dos Mortos na Cidade do México. Sorry, mas Spectre vai ter de esperar. É mais urgente falar sobre Chatô, que vi agora pela manhã. Guilherme Fontes fez uma sessão do filme para a imprensa. Não havia muita gente – simultaneamente, estava rodando a sessão do capítulo final da saga Jogos Vorazes. Mas estávamos Inácio Araújo, Luiz Zanin e eu, mais meu editor, Ubiratan Brasil e Amilton Pinheiro, que retomou, recentemente, as matérias sobre o filme para o Caderno 2.Meninos, eu vi! Não é lenda urbana. Execrado por décadas como símbolo das distorções dos métodos de financiamento – os tais subsídios e incentivos – do cinema brasileiro, GF dá a volta por cima e vai finalmente estrear o filme que muita gente duvidava que ele tivesse feito. Chatô vai estrear na semana que vem, dia 19. Saí da sala meio sem fala, troquei duas ou três palavras com o diretor, que aguardava ansioso pelas reações e saí sem me comprometer demais. Mas logo em seguida caiu a ficha e eu dei meia volta. Se Chatô foi/é uma guerra, escolhi meu lado e cerrei fileira com o ‘autor’. Pois GF é um autor. Se cometeu erros, não creio que tenha sido por má fé. Por inexperiência, até por megalomania, sim. Toda essa epopeia nasceu da associação de GF com o mais megalô dos diretores de Hollywood, Francis Ford Coppola. Bateu-me a dúvida. Erich Von Stroheim talvez tenha sido mais magalô que Coppola, mas isso agora é detalhe. O livro de Fernando Morais, que li há muito tempo, tem uma estrutura de flash-backs à Orson Welles, Cidadão Kane. Tem até o seu Rosebud. Faz sentido, porque ambos, um na realidade, outro na ficção, foram czares da mídia. GF arvora-se em pensador visionário do Brasil (com S) e submete o seu Chatô a uma estrutura tropicalista. Welles, Kane filtrados pelo antropofagismo nacional. E o filme dele devia ser muito, muito visionário desde a concepção inicial, porque sai no momento certo. Mais que sobre Assis Chateaubriand, e o Chatô está lá, de corpo inteiro, é sobre o Brasil de 2015. A política, a economia, a burguesia, a imprensa. Existem frases, situações que estamos vendo/ouvindo todo dia. A tragédia do Brasil não é a Dilma. É muito anterior, é endêmica. Ainda estou deglutindo essa carnavalização da vida pública e privada do Brasil, metamorfoseada em ‘julgamento do século’, via TV, mas o Guilherme é f… Fogo! E, gente, preparem-se para o choque, porque Andréa Beltrão é arrasadora.

Tendências: