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E não é que As Rainhas da Torcida ficou comigo?

Luiz Carlos Merten

22 de julho de 2019 | 23h01

Fui hoje pela manhã à cabine de As Rainhas da Torcida, no Reserva. A comédia de Zara Hayes com Diane Keaton, distribuída no Brasil pela Diamond, estreia nesta quinta, 25. Por uma questão de conveniência, sentei-me atrás, na fileira mais curta da sala, apenas três poltronas. Havia um garoto na extremidade (parede), eu fiquei na parte de fora, para liberar a perna operada. Puxei uma conversa meio besta, que amanhã tem cabine de outra comédia, As Trapaceiras, com Anne Hathaway, e ele, com seu entusiasmo de jovem crítico me disse que era mais um desses filmes que a gente já viu, como o próprio As Rainhas da Torcida, que íamos ver dali a pouco. Vejam como são as coisas. A sessão começou, Diane – a personagem chama-se Martha – diz que a gente junta tralha a vida inteira e lega o problema para os filhos, ao morrer. Martha resolve antecipar-se e liquida tudo. Vende até o último item que acumulou, pega o carro e vai para um asilo disfarçado de paraíso. Vai para morrer – é paciente terminal de câncer -, mas, como em tantos outros filmes que já vimos, e nisso o colega tinha razão, a vida vem. Martha exaspera-se porque as velhinhas do lugar são mesmo irritantes, mas tem uma, Sheryl, interpretada por Jacki Weaver, de quem se torna amiga e a quem confessa. Sempre quis ser uma cheerleader. As duas resolvem formar um clube de animadoras de torcida. Como necessitam de oito integrantes, abrem um concurso, as participantes vão aparecendo, entre elas Pam Grier e quando a Jackie Brown de Quentin Tarantino executou sua dança eu já estava no clima. Tudo por uma frase que Martha/Diane diz logo no começo e que mexeu muito comigo. Ao liquidar suas tralhas ela diz que as acumulou vivendo 46 anos no mesmo apartamento, e pergunta-se – onde foram parar esses 46 anos? Sem entrar em detalhes, aquilo repercutiu muito em mim. Via o filme e uma pergunta se formava na minha cabeça – onde foram parar meus últimos 25 anos de vida? No final, e não creio que meu colega tenha concordado comigo, não vi o mesmo filme, ou mais um desses filmes que a gente está cansado de ver. Assim como a pergunta do início ficou comigo, outra mexeu com esse velho. O que fazer depois da morte? Com as cinzas, por exemplo. Olha o spoiler. Não sei se o que ocorre é invenção de roteirista, da diretora ou coisa já em prática, mas achei bastante original. Adorei as atrizes – Diane, Jacki, Pam, a única que ainda tem um marido capaz de olhá-la com amor, e desejo. Assim como Martha quis ser rainha de torcida quando jovem, mas renunciou para cuidar da mãe, o marido de Pam diz que sempre sonhou com uma cheerleader em sua cama. As Rainhas da Torcida é sobre desejos que se realizam. Quais serão os meus? Um dia, eu conto. Enquanto isso, gostei de ter visto o filme de Zara Hayes, seja ela quem for. Parei para pesquisar e descobri que se trata de uma produtora e diretora inglesa que fez Diann Fossey – Secrets in the Mist, em 2017, sobre a zoóloga que foi pesquisar um santuário de gorilas na África e terminou assassinada em 1985. A saga de Diann, antes do filme de Zara, já havia inspirado A Montanha dos Gorilas, de Michael Apted, com Sigourney Weaver, acho que em 1988.