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E não é que acertei partindo da premissa errada?

Luiz Carlos Merten

29 de fevereiro de 2016 | 10h22

Nem sei quando, mas num post que não é recente já havia previsto (antecipado?) que Alejandro González-Iñárritu ganharia seu segundo Oscar, mas seria um prêmio dividido, porque O Regresso não levaria a estatueta de melhor filme. Não deu outra, mas tenho de admitir que cheguei ao resultado certo partindo de uma premissa equivocada. Não sei como, mas botei na cabeça que Spotlight – Segredos Revelados havia vencido o Producers Guild Award, e não foi. A Grande Aposta venceu o prêmio dos Producers e Spoptlight levou o prêmio de melhor filme do Sindicato dos Atores. O curioso é que ontem houve um almoço na casa do irmão do Dib, para comemorar o aniversário da Elisa, sua sobrinha, e a todo mundo que me perguntava respondia que, sim, Leonardo DiCaprio levava o Oscar de melhor ator e Spotlight seria o melhor filme. E dava meus motivos. Um tema sério, de prestígio, a defesa do jornalismo investigativo e da liberdade de expressão, num momento em que o impresso é acossado pelas redes sociais e pelo jornalismo online, a homogeneidade das interpretações. E, somando a tudo isso, o fato de ser um filme bem escrito e dirigido – pelo corroteirista e diretor Tom McCarthy. Não deu outra. Spotlight na cabeça. Também escrevi aqui que Iñarritu poderia fazer história, como fez, na Academia, ao receber o Oscar de direção em dois anos consecutivos. No ano passado, ele ganhou o prêmio de direção por Birdman e, este ano, bisou com O Regresso. Foi o terceiro diretor, em toda a história da Academia, ao longo destes quase 70 anos, a lograr o feito, e o primeiro latino, o que não é pouco. Antes dele, somente John Ford, em 1940 e 41, e Joseph L. Mankiewicz, em 1949 e 50, haviam chegado lá. Ford, com, Vinhas da Ira (que não foi melhor filme) e Como Era Verde o Meu Vale. Mankiewicz, por Quem É o Infiel? (que não foi melhor filme) e A Malvada. Iñárritu agora repete – com Birdman e O Regresso/The Revenant, que não foi melhor filme (mas dás de dez, para mim, no Birdman). Escrevi aqui que não abria mão – como se pudesse participar da escolha – de dois prêmios para o longa de Iñárritu. Melhor ator, para ‘Leo’, e melhor fotografia, para Emmanuel Lubezki. Gostei muito do agradecimento de Emmanuel, falando com o ‘compadre’ Alejandro e quase me arrependo de torcer por DiCaprio, porque sabia que ele ia tecer loas a seu mestre ‘Marty’ (Martin Scorsese). Vocês sabem que não tenho muito apreço pelo Scorsese recente, mas concedo que ele possa ter sido o mentor de DiCaprio, abrindo os olhos do ator para a riqueza e complexidade da ‘cinematic experience’, como diz o DiCaprio. Porque se há uma coisa que não subestimo é o amor de Scorsese pelo cinema e o seu trabalho de restaurador. Melhor que muito crítico, Marty fala com paixão dos filmes de sua vida – e, depois da homenagem no ano passado, a Mostra tinha de dar um jeito de trazê-lo a São Paulo para uma master class, falando dos filmes que ama. Não deu para Alê Abreu, e o prêmio de melhor animação foi para Divertida Mente, e o desconcertante/impressionante O Filho de Saul venceu o Oscar de filme estrangeiro. Sabia que Brie Larson ia ganhar, mas vi a vitória da atriz de O Quarto de Jack sem emoção. Gostaria que Sylverster Stallone fosse melhor coadjuvante, pelo reboot de Rocky – Creed -, mas não cheguei a torcer por ele porque sabia que Mark Rylance (Ponte dos Espiões) e Mark Ruffalo (Spotlight) são melhores. Em compensação, parei com tudo e curti a vitória de Ennio Morricone. Grandes trilhas só existem em grandes filmes, cravou o mestre, a quem tive o privilégio de entrevistar no Teatro Municipal do Rio, quando ele veio ao Brasil trazido pela empresa da Lia Vissoto, ex-Sony, para um inesquecível evento de música e cinema. Só lamento, na correria do fechamento, ter perdido a tradicional homenagem da Academia aos mortos do ano. O curioso é que perguntei ao povo ao meu redor (Adriana Delre, Pedro Antunes, Guilherme Sobota etc) e ninguém viu. Não posso crer que não tenha havido. Vou pesquisar no YouTube.