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E minhas viagens me levam a… Sérgio Olhovich!

Luiz Carlos Merten

23 de fevereiro de 2018 | 18h53

É curioso como um post leva a outro. Minhas madeleines. Lembrei-me de Romeu e Julieta nas Trevas e da comoção que me provocou o filme do checo Jiri Weiss. O jovem esconde no sotão do prédio a garota judia (Hanka, sublime Daniela Smutná) que foge dos nazistas. Passa a ser seu único elo com o mundo. Mesmo com risco de spoiler – mas como, se aquele outro Romeu e Julieta, de Shakespeare, já está no título? -, o desfecho tristíssimo me persegue até hoje e com certeza tem a ver com a permanência sofrida do filme no meu imaginário. Uma coisa puxa a outra. Nos anos 1960, via-se muito cinema europeu em Porto Alegre – no Brasil. Fui muito marcado pelas retrospectivas do cinema expressionista alemão, da era de ouro do cinema soviético e pelo arco que ia da tradição à nouvelle vague polonesa, os três grandes eventos no Salão de Atos da Reitoria das UFRGS. E, no circuito comercial, revia os westerns de John Ford, Anthony Mann e Raoul Walsh no Carlos Gomes, um cinema popular do Centro da cidade, descobria a nouvelle vague francesa, os independentes norte-americanos (Studs Lonigan, de Irving Lerner, e Rajadas de Paixão, de Alexander Singer), os japoneses (Kobayashi!), os checos e, depois, mais para o fim da década, os mexicanos. Puxados por Reed, México Insurgente, de Paul Leduc, descobri Luís Alcoriza, Arturo Ripstein, Jorge Fons… Daquela época, um filme ficou comigo. La Muñeca Reina, de Sergio Olhovich. Nunca esqueci o nome do diretor, mas nunca fiz pesquisa sobre ele na internet. Tenho um dicionário de diretores mexicanos – de Perla Ciuk – que o tem em boa conta. O filme adapta um conto de Carlos Fuentes e não sei, sinceramente, sendo uma história que envolve morte, se é por isso que, no meu imaginário, está muito ligado à morbidez que identifico na representação da dor e do sofrimento na obra de Farnese de Andrade. As bonecas queimadas, sem olhos de Farnese. La Muñeca Reina é pouco mais que um título para mim, mas evoca essa área sombria.

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