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E minha manhã começou com Frederick Wiseman…

Luiz Carlos Merten

03 Dezembro 2016 | 09h19

Vou ter uma tarde agitada, cheia de entrevistas na Comic Con, inclusive com James Gunn, o diretor de Guardiões da Galáxia 2 que também dirigiu o 1. Adorei o filme anterior, com Chris Pratt, Zoe Saldana e todos aqueles personagens irados. Rocky, o guaxinim. Groot, a árvore humanoide. Quando conversei com Vin Diesel, ele estava muito feliz com a enxurrada de novos filmes em 2017, e um deles é justamente Guardiões 2, em que, mais uma vez, fornece a voz a Groot. Mas a minha manhã começou mais cedo – são 9 horas -, porque já entrevistei pelo telefone, em Paris, ninguém menos que Frederick Wiseman, por In Jackson Heights, que está estourando como um dos últimos grandes lançamentos de 2016. O ano foi pródigo em belíssimos documentários – Botão de Pérola, Fogo no Mar, Cinema Novo… Pitanga ficou para o ano que vem, mas ainda teremos o Wiseman. O filme dele é sobre esse enclave em que habitam, e coexistem, imigrantes de diferentes nacionalidades em Nova York. Judeus, árabes, portorriquenhos. Todo mundo se ajuda, respeita, é uma utopia, na contracorrente do que representa o presidente eleito Donald Trump. In Jackson Heights será exibido na TV dos EUA em 6 de janeiro, duas semanas antes da posse de Trump, no dia 20. Wiseman não acredita que filmes possam mudar o mundo, mas se In Jackson Heights ajudar no debate já estará satisfeito. Perguntei o que ele faz em Paris? Me disse que ama a cidade e sempre que pode dá uma passada por lá, mas não está a passeio, não. Wiseman fez La Danse na Ópera de Paris e montou Em Jackson Heights num estúdio parisiense. Está lá montando o próximo filme, sobre a ‘Library’, Biblioteca, de Nova York. Ele disse que, mais uma vez, sorte ou intuição, encontrou personagens maravilhosos, e que o filme está tomando forma de um jeito que o apaixona. Ao contrário de Eduardo Coutinho, que se aprimorou como entrevistador celebrando encontros, Wiseman adora os encontros, mas não entrevista. Em Jackson Heights tem momentos magníficos – o encontro numa associação de imigrantes latinos, uma aula para motoristas de táxi, gente que toca na rua. E um casal de velhos que se indaga sobre o sentido da existência e o fato de ainda estarem juntos. O segredo, revela Wiseman, é estar sempre pronto para filmar, porque as coisas não esperam.