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E Miele também deixou sua marca no cinema

Luiz Carlos Merten

15 Outubro 2015 | 07h27

Cá estou de volta a São Paulo. Cheguei ontem à tarde e fui diretamente para a redação do Estado. Tinha a entrevista com Cleo Pires para redigir, a propósito de Operações Especiais, de Tomas Portela, que entra hoje em 312 salas. Achei o filme bem interessante, com sua discussão sobre como é difícil ser policial honesto no Brasil. Ocorre que a morte do Miele levou ao redesenho da edição de hoje do Caderno 2, e a minhas entrevista com a Clero ficou menor. queria ping-pong, pergunta e resposta, e me deu um trabalhão do cão cortar e ajustar até chegar ao tamanho. Tinha também a matéria do encerramento do Festival do Rio, e a premiação, como já disse, me desconcertou, como se o júri presidido por Walter Carvalho não tivesse um conceito. Distribuir prêmios faz parte da dinâmica dos festivais, e dos júris – eu sou contra -, mas um melhor filme, dois melhores diretores e um quarto vencedor para o Redentor de montagem me pareceram meio dispersivo demais. Enfim! Já passou, e eu fiquei feliz de que Ariclenes Barroso tenha recebido sozinho o prêmio de melhor ator, que merecia totalmente, por Aspirantes. Gostaria que Sérgio Malheiros tivesse sido o melhor coadjuvante, até porque algumas das melhores cenas que vi nos filmes da Première Brasil deste ano foram com os dois, em Aspirantes, o belo longa de Ives Rozenfeld. Não quero polemizar, mas gostando como também gosto de Boi Neon não creio que o forte do filme de Gabriel Mascaro seja o roteiro, e esse foi outro dos absurdos do júri. Mudo a conversa. Reclamei acima da morte de Luís Carlos Miele, que redefiniu a edição do Caderno 2 e reduziu minhas matérias. A afirmação soa desrespeitosa com uma figura que fez por merecer seu espaço. Miele foi importante na história da MPB (e da Bossa Nova). E mesmo que talvez tenha sido ator de si mesmo sou capaz de lembrar uma meia dúzia de papeis. Lá atrás, nos anos 1960/70, ele participou de obras como Um Homem e Sua Jaula, O Capitão Bandeira Contra o Dr. Moura Brasil e A Estrela Sobe, de Fernando Coni Campos, Antônio Calmon e Bruno Barreto. Mais recentemente, esteve em Os Penetras, de Andrucha Waddington, As Aventuras de Agamenon o Repórter, de Victor Lopes, Muitos Homens Num Só, de Mini Kerti, e Prometo Um Dia Deixar Essa Cidade, de Daniel Aragão, que foi premiado no Festival do Rio do ano passado, mas creio que não estreou – só se foi em algum período em que estivesse fora. Miele participou de novelas, séries. Nem me lembro mais quando foi, mas estava no Rio com meu amigo Dib Carneiro e fomos ver o Elis em formato de recital, no Beco das Garrafas, onde ela surgiu. Miele estava lá e eu que o conhecia da TV e do cinema, como uma figura robusta, achei-o debilitado. Miele foi parceiro de Ronaldo Bôscoli e produziu artistas como o rei Roberto Carlos, Wilson Simonal e Elis Regina. Como não abrir espaço para uma figura dessas?