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E, mais uma vez, 11 de setembro

Luiz Carlos Merten

11 Setembro 2018 | 08h55

Nine eleven. Completam-se nesta terça, 11 de setembro de 2018, 45 anos do ataque ao Palácio de La Moneda, em Santiago, que deu início ao golpe militar que instituiu a sanguinária ditadura de Augusto Pinochet. E há 17 anos, houve outro ataque, às Torres Gêmeas, em Nova York. A ditadura de Pinochet inspirou Missing – O Desaparecido, Um Grande Mistério, de Costa-Gavras e toda a obra posterior a 1973 de Patricio Guzmán, incluindo A Nostalgia da Luz e O Botão de Pérola. Inspirou o episódio de Ken Loach naquele filme coletivo sobre o 9/11. O ataque em Nova York inspirou o documentário de Michael Moore e incontáveis narrativas de ação de caçadas a terroristas, mas nada se compara à trilogia informal de Steven Spielberg, formada por O Terminal, Guerra dos Mundos e Munique, que marca a maioridade dele como autor e reflete sobre a ‘América’ no pós 11 de setembro de forma lúcida e leniente. Michael Moore fez agora uma nova versão anti-Trump de Fahrenheit 9/11. Já estava demorando. Um palhaço como Trump tinha de virar, mais cedo ou mais tarde, o alvo de Moore. Faço amanhã, dia 12, 73 anos. Já vi muita coisa na minha vida, dois acontecimentos dessa magnitude, a ditadura no Brasil, as diretas-já, o impeachment de Collor, da Dilma, a perseguição a Lula. O 11 de setembro mexe muito comigo. O terrorismo. Embora tenha entrevistado Spielberg por mais de 30 min, em Cannes, havia muita coisa para perguntar e terminei esquecendo. Em Munique, Golda Meir diz a frase sobre o risco de não se estabelecer limites morais ao combate a nossos inimigos. Ela diz que podemos perder nossas almas. Golda Meir terá dito mesmo isso? Ou é uma liberdade poética de Spielberg? Seja como for, creio. Temos de ser maiores e melhores do que aqueles que querem nos destruir.