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É hoje!

Luiz Carlos Merten

15 de dezembro de 2015 | 09h25

Vou conhecer, enfim, a nova geração de Star Wars. O Despertar da Força! Haverá, à noite, uma sessão para convidados no JK Iguatemi, precedendo a de imprensa. Sorry, mas não vou esperar por amanhã. Voltam os velhos, Harrison Ford, Carrie Fisher, Mark Hamill. E revelam-se os novos. Poe Dameron/Oscar Isaac, Maz Kanata/Lupita Nyong’o e, claro, John Boyega e Daisy Ridley, que fazem ‘Finn’ e ‘Rey’, sejam lá quem forem (mas pretendo descobrir). Já tinha 33 anos – a idade de Cristo – quando vi Guerra nas Estrelas no antigo Cine Imperial, na Praça da Alfândega, no Centro de Porto Alegre. Fui fisgado por aquilo que Ridley Scott definiria mais tarde como o “lado fliperama” de 2001, o clássico de Stanley Kubrick, mas tenho de admitir que já era crítico, titular de uma página de cinema na antiga Folha da Manhã, um dos matutinos – o outro era o Correio do Povo – da Empresa Jornalística Caldas Júnior. Curti o filme, mas não necessariamente a direção. Sempre achei caótica a cena do bar espacial e a verdade é que George Lucas, como diretor, sempre foi melhor produtor. O melhor dos seis filmes até agora, é O Império Contra-Ataca, de Irvin Kershner, que virou episódio 5, seguido de O Retorno de Jedi, de Richard Marquand, o episódio 6. Amo o desfecho psicanalítico, Luke matando o pai para, na verdade, libertá-lo da máscara de Darth Vader, para que ele volte a ser Annakin. Sempre me encantou que Lucas, ao iniciar seu projeto, já tivesse o conceito de três trilogias, e que tenha começado pela segunda – porque na época não havia tecnologia para as necessidades dramátícas da primeira, foi a desculpa oficial, mas eu tenho a impressão que também houve uma conciliação de interesses éticos e diegéticos, porque seria, talvez, imprudente propor de cara uma identificação do público com o vilão, e assim, era melhor começar pela construção do herói, Luke, só depois mostrando a transformação de Annakin em Darth Vader na segunda trilogia, que, na cronologia geral, virou a primeira. Tanto quanto quadrinhos, space operas, westerns, a conceituação da saga, por Lucas, deve muito ao mitólogo Joseph Campbell, que refletiu sobre como os arquétipos atuam, no nosso inconsciente – no inconsciente coletivo, segundo Jung. Continuei achando A Ameaça Fantasma (episódio 1) um pouco trôpego, por causa da direção de Lucas, passei pelo 2, Ataque dos Clones e cheguei ao 3, A Vingança dos Sith, louco para ver, enfim, o momento em que a máscara cola ao rosto de Annakin e emerge o vilão. Devo ter visto uma três ou quatro vezes no cinema e umas dez na TV paga. A cena, em si, não me decepcionou. É, talvez, a melhor coisa que George Lucas fez. E, então, ele se despediu da série, que foi adquirida pela Disney e começou a novela. Quem iria dar continuidade à saga. Fico feliz que tenha sido JJ Abrams. Amo Missão Impossível 3, achei demais como ele reinventou outra saga espacial, Star Trek, mas agora não se trata de reinvenção, mas de adequação. Os velhos vão passar o bastão para a nova geração, e que nova geração é essa? Faltam menos de 12 horas para a descoberta. Citei MI-3, Star Trek, mas o ‘meu’ JJ é Super-8. O filme tem a cena em que o garoto sensível que sonha realizar um filme (JJ?) olha no olho do monstro do espaço e vê… Compro Cahiers du Cinema, vocês sabem, mas foi uma das raras vezes em que li a entrevista de capa – a revista colocou o filme nas nuvens. Não me decepcionei. Para expor a fragilidade do monstro e a possibilidade de entendimento com o outro – o conceito spielbergiano de E.T. -, JJ pegou a foto da mãe do garoto na cabeceira dele (ela morreu), e colocou os olhos da foto nos do monstro. Ninguém percebe isso, ou melhor, percebe-se que algo há naquele olhar. Mas o autor sabe e eu intuía – um adoçamento. Choro copiosamente naquela cena. Estou indo ver o novo Star Wars hoje à noite em busca desses momentos mágicos que JJ sabe criar. E só faço votos de que a Força esteja com ele. Conosco, seu público.