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E Guillermo Del Toro venceu em Veneza. Para quando The Shape of Water?

Luiz Carlos Merten

11 de setembro de 2017 | 10h06

Há anos quero voltar a Veneza. Foi meu primeiro festival internacional, mas nas últimas edições o jornal cortou a cobertura. Todo ano penso em fazer o credenciamento e ir, de qualquer maneira, mas na última hora desisto. Tenho meus motivos – não quero provocar nenhuma crise. Enfim, perdi a edição de 2017. Mais um festival, menos um festival. Aos 72 anos, não posso ficar indefinidamente à espera de melhores ventos. Tenho de soprar. Quem sabe… 2018? No ano que vem será uma data redonda, a 75.ª Mostra d’Arte Cinematografica. O 74.º festival terminou no sábado com a vitória de Guillermo Del Toro. Annette Bening presidia o júri que outorgou o Leone d’Oro a The Shape of Water. Sally Hawkins trabalha num laboratório e se envolve com criatura, um ser híbrido mantido em cativeiro. Planeja sua fuga. Quem vai trazer o Del Toro para o Brasil? O Festival do Rio? A Mostra? Em todo caso, parece o típico material do diretor. Fantástico, política, romance. Charlotte Rampling foi melhor atriz por Hannah e, da vez anterior em que venceu um grande festival – Berlim, com 45 Anos -, foi para o Oscar. Dificilmente irá de novo, porque virou non grata para a comunidade negra dos EUA. Naquele ano de pouca ou nenhuma representatividade de afrodescendentes, Charlotte provocou um vendaval ao dizer que, talvez, não houvesse atores e atrizes negros entre os finalistas porque os outros (os selecionados) eram melhores. Foi crucificada, e não venceu o Oscar, claro. Kamel el Basha foi melhor ator por The Insult. O longa libanês mostra a divisão do país por meio de uma cristã e um refugiado palestino que vão parar no tribunal por causa do insulto do título. O filme já criou um caso internacional porque o diretor Ziad Douieiri foi preso e teve seu passaporte confiscado ao regressar a Beirute no domingo. Ao invés de ser celebrado como herói nacional – afinal, um prêmio importante -, foi preso como traidor, porque, anteriormente (O Atentado, 2012), filmou em Israel com atores judeus, e os dois países não se reconhecem, diplomaticamente. A pergunta que não quer calar – como foi preso na volta, se a polícia militar lhe permitiu viajar ao Lido, e representando o país? Vejam o post anterior. O cinema contra a barbárie. Não é só ‘A luta continua’. A luta não tem fim.

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