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E falta ‘gravidade’ em Everest….

Luiz Carlos Merten

10 de setembro de 2015 | 11h36

Assisti ontem à cabine de imprensa de Everest e não posso dizer que tenha gostado do épico de Balthasar Kormákur sobre a expedição de 1996 ao pico mais alto da Terra, que resultou em não sei quantas mortes. O filme abriu Veneza, com pompa e circunstância, mas vai uma diferença enorme entre Everest e Gravidade, de Alfonso Cuarón, que também abriu Veneza, anos atrás, e era excepcional, apesar dos que, na época, o consideraram ‘decepcionante’ (gente burra, credo). Everest possui imagens impressionantes, mas eu ainda acho que existem problemas com a tecnologia 3-D – menos até em filmes intimistas como o Love, de Gaspar Noë -, principalmente nos planos gerais. Existem fragmentos de Everest, quando os personagens são filmados, à distância, equilibrados sobre os abismos gelados, e há ali um problema de proporção. Parecem bonecos, é uma sensação muito esquisita. E o filme me passou outra sensação, a de falta de foco. O conflito central talvez seja o da difefença de conceitos e métodos de alpinismo dos personagens de Jason Clark e Jake Gyllenhaal, mas, apesar dos cuidados do primeiro, se a mãe natureza – a montanha – teve a última palavra, foi porque os homens ajudaram, e muito. Um dos guias era contra as garrafas de oxigênio e, na hora H, elas faltaram, condenando alguns (muitos?) a morrer sufocados pela falta de ar naquela altitude toda. Numa cena, o jornalista do grupo formula a pergunta básica – por que aqueles pessoas estão pagando caro, em dinheiro mesmo, e se arriscando tanto? A resposta óbvia é que a montanha está lá, como um desafio a ser conquistado. Para a alpinista japonesa, ela é o sétimo e maior desafio, depois que já escalou outros seis montes míticos. O carteiro é quem dá a melhor resposta – ele foi à classe do filho, disse o que pretendia fazer e virou o herói daquelas crianças. Subiu para mostrar-lhes que não existem sonhos impossíveis e ele realmente crava sua bandeira – nós vemos -, mas não volta para contar a história. Destruição e morte. Como se contam histórias baseadas no anticlímax? Se eu tivesse a fórmula a venderia para Hollywood ou quem quisesse comprar. Como crítico e jornalista só posso admirar, ou não, o resultado, e com certeza não admirei.O próprio elenco de astros e estrelas me incomodou, e não porque não estejam bem. Alguns até estão muito bem – Sam Wortington, Robin Wright, a atriz japonesa, o próprio Josh Brolin, na sua pele de texano. Fiz uma pesquisa e descobri que Kormákur filmou em Katmandu, no Nepal, e nos Alpes. A capacidade que o cinema tem de trapacear com a gente é infinita…