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E, enquanto isso, no ‘bordel’…

Luiz Carlos Merten

08 de agosto de 2016 | 08h18

Ando defasado com certos posts que quero fazer. Por exemplo, não falei nada sobre A Floresta Que Anda, a nova… Bem, já vou empacar aqui. A montagem de Cristiane Jatahy? Mas ela própria, ao nos encontrar, a Dib Carneiro eu, no Sesc Pompeia, disse que não era teatro. É o que, então? Instalação? Cristiane Jatahy é a maior diretora de cinema do teatro brasileiro, quiçá do mundo. Enquanto o Sesc importa Bób Uílsôn e ele faz aquele monumento ao vazio que foi Garrincha, a Europa importa a Jatahy. Ela está indo com A Floresta e, em fevereiro, depois de Berlim – espero! -, estreia em Paris o espetáculo, digamos assim, para o qual foi comissionada pela Comédie Française. Cristiane vai criar/montar uma peça (instalação?) com o elenco da casa e depois filmar para exibir tudo no ano que vem. Mathieu Amalric já fez algo aproximado, outra ‘commande’- ‘Une Illusion Comique’, de Corneille, para TV. É uma instituição centenária da França, a Comédie, mas que se abre para o novo. Muito interessante. A Floresta que Anda (que se move…) sai de Macbeth, e a criação de Cristiane incorpora fragmentos do discurso político de Shakespeare. Ela filmou depoimentos de pessoas que, no Brasil e fora daqui, sofreram a violência institucional do ‘sistema’ (judiciário, econômico e social). Igor, o garoto preso no Rio por participar de uma manifestação; uma garota da comunidade; um jovem turco preso na Alemanha; outro jovem do Congo que conheceu o inferno nas cadeias do regime. Os depoimentos filmados ficam passando em telões que se movem no que não deixa de se constituir no espaço cênico. Nós, o público, somos jogados ali dentro, ‘imprensados’ pela ‘floresta’. e, enquanto isso, uma atriz, a ótima Júlia Bernat, protagoniza uma performance que o poderoso câmera de Cristiane, Paulo Camacho – o Dib Lutfi do terceiro milênio -, filma na hora e ela edita ao vivo, como sempre. Fiquei chapado. Com o experimento visual, o texto. Lamento ter visto no último dia, porque é tanta coisa, tanta riqueza, que não se dá conta daquilo numa só vez. Cristiane está com sua Floresta no Rio, como contraponto à Olimpíada. Não posso deixar de relatar como foi impressionante, para mim, o show de abertura dos Jogos do Rio. Fernando Meirelles, Daniela Thomas e Deborah Colker. Teve alguma coisa ali que achei pirotécnica, excessiva, mas faz parte da grandiosidade dos jogos. O 14 Bis, a Gisele Bündchen na maior passarela do mundo – Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça… Há um gênio brasileiro que estou celebrando no post. E existe a canalhice de sempre. Vi a capa de ontem da Folha, a chamada da Veja. Não li nenhuma das reportagens, mas quer dizer que as virgens no bordel já tinham dado? São ‘arrombadas’, como se diz? E, agora, como fica? Não fica, porque não importa. Nunca teve importância. O foco da questão sempre foi outro, vocês entendem o que quero dizer.