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E como será o júri de Pedrito em Cannes?

Luiz Carlos Merten

05 Maio 2017 | 23h26

Já que o post anterior foi sobre a seleção de Cannes Classics, deixem-se confessar que tenho pensado na competição deste ano em relação ao presidente do júri, Pedro Almodóvar. Pedrito tem essa personalidade singular e é um autor a quem admiro muito. Temos gostos muitas vezes similares. O Luis Buñuel que ele mais ama também é o meu, Archibald de La Cruz. Colocamos Joseph L. Mankiewicz num pedestal – All about Eve/Todo Sobre Mi Madre. E tudo o que Almodóvar escreveu sobre a Branca de Neve de Pablo Berger, dizendo que era o melhor filme espanhol do ano, assino embaixo. Não vejo muito a cara dele nos que se antecipam, para mim, como os melhores filmes dessa seleção. Estou apostando nos diretores a quem admiro – Hong Sang-soo, Naomi Kawase, Bong Joon-ho, Todd Haynes, Sergei Loznitsa. Mas isso pode não significar nada. Wong Kar-wai faz um cinema completamente distinto do de Ken Loach e foi quem deu ao inglês sua primeira Palma de Ouro, por Ventos das Liberdade. É muito raro que filmes exibidos no primeiro dia da competição mantenham sua aura até o final. Ocorreu, e na coletiva pós-premiação do júri Kar-wai confessou que propôs que votassem de novo, e de novo, até a l’unanimité para Loach. Por outro lado, pode-se viajar na maionese – será a chance dos novos? Será Almodóvar o primeiro presidente do júri a quebrar a invencibilidade de Michael Haneke? O austríaco sempre ganha alguma coisa… Ganhou sua primeira Palma – com A Fita Branca – num ano em Pedro concorria, e nada levou, por Los Abrazos Rotos. Além desse, Pedro concorreu outras quatro vezes – Tudo Sobre Minha Mãe (prêmio de direção), Volver (roteiro e prêmio coletivo de interpretação feminina), A Pele Que Habito e Julieta. Já deveria ter levado sua Palma, ora se não… ‘Uma longa fidelidade une Almodóvar ao festival’, destacaram o presidente Pierre Lescure e o delegado-geral Thierry Frémaux quando o anunciaram na presidência do júri. Como curiosidade, vale lembrar que Almodóvar ganhou o Oscar de filme estrangeiro por Tudo Sobre Minha Mãe e o de roteiro original – por Hable con Ella. Mas nenhuma atriz de seus filmes venceu o prêmio da Academia – Penélope Cruz ganhou pelo Woody Allen, Vicky Cristina Barcelona. Mala Educación abriu o festival fora de concurso e o próprio Almodóvar já deu sua cara ao cartaz. Sei que estou jogando conversa fora como programa de futebol – os caras nunca dizem coisa com coisa, só enchem linguiça -, mas minha intuição me diz que Almodóvar, depois dessa experiência, volta à competição, e ganha. Aguardem!