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E começa a temporada de premiação – Globos de Ouro!

Luiz Carlos Merten

06 de janeiro de 2019 | 17h45

Cá estou de volta, depois de uma brevíssima viagem de lazer ao Rio. Embora de férias, daqui a pouco tenho de ir para o jornal por causa do Globo de Ouro. O prêmio da Associação dos Correspondentes Estrangeiros não é mais, como antigamente, um indicador seguro do Oscar. Hoje, é preciso estar muito mais atento aos prêmios das guilds, os sindicatos, mas duvido que, mesmo assim, quem trabalha com cinema não se ligue no que vai ocorrer esta noite, em Hollywood. Com toda certeza, alguns – muitos? – vencedores do Globo de Ouro estarão na disputa do Oscar. Alguns – muitos? – poderão até bisar o prêmio. O Globo de Ouro possui regras que, confesso, a mim escapam. Há uma divisão por categorias, drama e comédia ou musical, mas diretores e atrizes e atores coadjuvantes de ambas concorrem juntos. Até aí, tudo bem, mas por que Nasce uma Estrela concorre como drama, e não musical? Concorrendo com cinco indicações, e favorito no pré-Oscar, o filme de Bradley Cooper deve levar – filme e atriz, Lady Gaga. Não creio que ela seja realmente a melhor, porque Glenn Close está fantástica em A Esposa, mas há uma torcida por Gaga, e aí já estou falando de Oscar, para que quebre a ‘maldição’ de A Star is Born. Antes delas, Janet Gaynor e Judy Garland não levaram o prêmio da Academia, e Barbra Streisand, que também fez o papel, levou, mas não atriz e sim, canção (Evergreen). Imagino que uma vitória de Gaga esta noite fortaleça a candidatura dela no Oscar, além de incrementar o glamour dos ‘Golden Globes’. Bradley Cooper, melhor ator? Não creio, porque melhor que ele está outro intérprete de musical ‘dramático’, Rami Malek, por Hungarian Rhapsody, e ele também não leva diretor, exceto se a controvérsia cinema vs. streaming prejudicar Alfonso Cuarón, o (indiscutível) melhor diretor, por Roma. Concorrendo com seis indicações – é o recordista do ano -, Vice, de Adam McKay, sobre o (ex)vice-presidente Dick Cheney, parece imbatível como melhor filme de comédia (musical é que não é). Vejam que Cuarón não compete a melhor filme de drama, mas na categoria de filme estrangeiro, pelo México. A dupla de apresentadores, Andy Samberg e Sandra Oh, promete dar trégua ao presidente Donald Trump e esquecer por um momento as denúncias de assédio em troca de um tempinho para ‘rir e comemorar’. Admito que errei – botava fé em Rachel Weisz e Rachel McAdams, por Desobediência, ambas para melhor atriz (de drama), e a primeira concorre a melhor coadjuvante, por A Favorita. Mas gostei de ver que a questão da negritude e o black power continuem na crista da onda, com as indicações de Infiltrado na Klan, Pantera Negra e Se a Rua Beale Falasse psara concorrer a melhor filme de drama. Eu, se fosse correspondente estrangeiro, votaria no Barry Jenkins, mesmo sabendo que a não indicação dele para diretor prejudica a Rua Beale. E, claro, nossos queridos (e queridas) correspondentes estarão loucos, se Claire Foy não for a melhor coadjuvante, por O Primeiro Homem. Falta pouco, mas, pelo visto, a noite vai ser longa. a festa começa só às 23 h, 11 da noite, horário do Brasil.