As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

E começa a Mostra de Tiradentes em São Paulo

Luiz Carlos Merten

28 de março de 2019 | 09h30

Há anos que não participo da Virada Cultural, porque o evento tem batido com o Festival de Cannes e eu ainda não estou preparado para trocar a Croisette pelas atrações da madrugada no Centrão de São Paulo. Minhas experiências de cinema na Virada incluem a revisão do Cinema Marginal e do spaghetti western – o que proporá a curadoria em 2019? De novo estarei fora. Recebi na terça a confirmação do credenciamento de Cannes, que começará em 14 de maio e a Virada está programada para 18. Nem conferi, mas foi a data que ouvi na reunião de pauta do c2, na segunda-feira.O que quero dizer é todos temos de escolher, vale para programações culturais como para o afeto. Confesso que gostaria de ire ao Festival de Curitiba, que está começando, ou já começou, mas bate com a Mostra de Tiradentes em São Paulo, que começa nesta quinta, 28, no CineSesc. Não pude ir a Tiradentes em janeiro e quero recuperar na tela grande os filmes que vi em link para a matéria de hoje do C2, que nem é tão grande, mas destaca a importância da grande vitrine da produção autoral e independente do cinema brasileiro, a Aurora, incrustrada na Mostra de Tiradentes. Sem desmerecer Vermelha, de Getúlio Ribeiro, que venceu o Troféu Barroco, o ‘meu’ filme da Aurora deste ano foi A Rosa Azul de Novalis, que vi em Berlim, no esplendor da gigantesca tela do Kubix e, a propósito, na edição de inverno da revista Cinemascope – à venda na banca do Conjunto Nacional, na Av. Paulista (R$ 69,95) -, James Lattimer faz uma belíssima análise de I Remember the Crows, o longa anterior de Gustavo Vinagre, que assina Novalis com Rodrigo Carneiro. ‘As virtudes da economia, da empatia e da negociação encontram plena expressão cinemática no retrato que o diretor faz de sua lady (Julia Katharine), extraindo riqueza e complexidade de pouco mais que uma câmera, um apartamento e uma noite insone.’ A revista emíngua inglesa que (mais) coloca o foco no cinema internacional traz, nesse número, textos muito interessantes sobre Nuestro Tiempo, de Carlos Reygadas, e Roma, de Alfonso Cuarón; resgata a obra negligenciada de diretor do ator Burt Reynolds, que morreu em setembro passado, e – nesses tempos de afirmação feminista – Alicia Fletcher recoloca em perspectiva os westerns transgressivos, assim definidos, da poderosa Barbara Stanwyck. Tenho certeza de que Antônio Gonçalves Filho adoraria a análise de Sean Rogers sobre Ghost Operas, a música no cinema de Bertrand Bonello. E não estou me esquecendo de Rojo, de Benjamin Naishtat, Argentina/Brasil, ‘cuja parábola de moralidade fétida é entregue numa estética de telenovela dos anos 1970 para refletir sobre a complacência da classe média que, no pós-peronismo da época, compactou com a guerra suja e a violência do Estado’. O post, que começou com Vermelha, encerra-se com Vermelho. E chega – tenho de correr ao laboratório para pegaro resultado dos exames, emendo com cabine do É Tudo Verdade, o cardiologista, uma reunião no jornal… O dia promete.