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E Atanarjuat esteve pertinho de meus olhos…

Luiz Carlos Merten

01 de dezembro de 2015 | 10h50

Gostaria muito de ter permanecido após a sessão de curtas, seguida de debate, no Fórum.doc de domingo, no Cine Humberto Mauro do Palácio das Artes, em Belo Horizonte. Mas havia marcado de encontrar com o povo da Tempestade, após a apresentação da peça. Foi gostoso, diverti-me muito, mas o tempo todo tinha a sensação de que talvez estivesse perdendo uma oportunidade única. Porque, na sequência, o Fórum apresentou – e a sessão começou bem atrasada – um daqueles filmes míticos de cuja existência nem sabia. Foi na edição de número 63, Summer of 2015, da revista Cinema Scope (Expanding the frame on international cinema), que ouvi falar pela primeira vez de Atanarjuat: The Last Runner. O longa de Zacharias Kunut, de 2001, liderou a lista de Top 10, os dez maiores filmes canadenses de todos os tempos, proposta pelo Festival de Toronto. Conhecia quase todos os outros nove, mas o número um, não. Mon Oncle Antoine, de Claude Jutra; The Sweet Hereafter/O Doce Amanhã, de Atom Egoyan; Léolo, de Jean-Claude Lanzon; Jesus de Montreal, de Denys Arcand; Goin’ Down the Road, de Don Shebib, outro que não conheço; Dead Ringers/Gêmeos, Mórbida Semelhança, de David Cronenberg; C.R.A.Z.Y./Loucos de Amor, de Jean-Marc Vallee; My Winnipeg, de Guy Maddin; Stories We Tell, de Sarah Polley; e Les Ordres, de Michel Brault. Tirava uma boa meia-dúzia desses filmes para colocar o Mommy de Xavier Dolan, mas, enfim, a escolha foi deles, dos próprios canadenses (críticos, artistas etc) e é interessante assinalar que Atanarjuat, que havia ficado em quinto lugar numa lista organizada em 2004, desta vez tomou a dianteira e chegou em primeiro. Foi a primeira vez que um filme realizado por um cineasta indígena obteve tanto destaque e isso é importante, embora imagine que Zacharias Kunuk não ganhou pela etnia, mas pelos méritos de seu filme que bem poderia ganhar alguma sessão em São Paulo, organizada pelo próprio serviço cultural (que deve haver) da embaixada ou do consulado. Atarnajuat tem cerca de três horas de duração, e foi o que me derrubou. A sessão deve ter ido quase até a uma e eu, sem celular para me comunicar com os amigos, ia deixar todo mundo aflito se desse sinal de vida somente na madrugada. Cristina Amaral, a quem encontrei – vejam post anterior -, me disse que Andrea Tonacci, a convite do Fórum.doc, organizou um programa do evento. Sendo ele o autor de Serras da Desordem, não duvidaria se fosse o responsável pela exibição de Atanarjuat. Nesse caso, Tonacci poderia ser embaixador para que o filme viesse à cidade, que tal?

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