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E agora?

Luiz Carlos Merten

29 de abril de 2014 | 10h19

REC IFE – Achava  que a competição de documentários do Cine PE estava decidida de antemão. Duvidava, ó homem incrédulo, que surgisse algo melhor que O Mercado de Notícias, de Jorge Furtado. Pois surgiu – o longa português e põe longa nisso, pois são quase 3 horas,  E Agora? Lembra-me, de Joaquim Pinto. O filme autobiográfico e autorreferencial, é sobre esse homem, o próprio diretor, que há mais de 20 anos é soropositivo. Ao longo do tempo, ele virou cobaia de inúmeras experiências. Seguimos sua rotina de exames e medicamentos. Poderia ser sobre o sistema hospitaLar e a  indústria farmacêutica, mas é sobre um homem que mergulha nas lembranças – a memória, tema da curadoria de Rodrigo Fonseca – e, principalmente, é sobre um par, Joaquim e seu companheiro, Nuno (que fez uma tatiuagem com o nome do outro no peito). Joaquim e Nuno andam com os cachorros e, embora o primeiro se fatigue muito ráído, o outro possujiu muita vitalidade e se dedica a uma série de atividades físicas e a brincar, de uma forma mais intensa, até violenta, com os cachorros. Joaquim vê filmes, e não só aqueles de que participou. O filme é essa rotina, essa repetição. Muita gente, que me disse que gostou, queria cortar o filme, transformá-lo numa narração à americana, talvez. Eu gostei pelo tempo. Uma vez entrado no ritmo, não saí mais. Parecem dois irmãos. Permanece o afeto, mas o amor foi substituído pelo companheirismo. E aí veio a cena de sexo. Forte, intensa. Os autores portugueses, lembrem-se de O Fantasma, não cessam de nos, ou de me surpreender. O Cine PE, em seu novo formato, tem duas premiações. Até Aqui foram exibidos os curetas nacionais e os documentários (internacionais. Amanhã, começa a competição de ficções. Meu amigo Evaldo Mocarzel integra o júri que vai outorgar esta noite o troféu Calunga para o melhor documentário.  A pergunta que não quer calar – quem ganha? Joaquim Pinto ou Jorge Furtado? Pelo teor do post, vocês já sabem em quem votaria, mas O Mercado de Notícias não é filme a ser negligenciado. Sua discussão sobre o que é, ou deveria  ser a imprensa é valiosíssima no contexto do Brasil atual. A propósito, Jorge Furtado contou como ganhou, em todas as instâncias, o processo contra aquele sujeito, polemista de araque, um tal de Diogo, daquela revista da qual não ouo, por desgosto – a antiobjetividade, o antijornalismo -, dizer o nome. São apenas dois prêmios – melhor filme e diretor. Quanto aos curtas, não vejo muita possibilidade de que Linguagem, de Luiz Rosemberg  Filho,não  ganhe um prêmio importante, até o de melhor filme. É uma colagem muito rica e instigante, mas confesso que seu godardismo me parece de outras eras. Meu melhor curta está na mostra pernambucana. É o Rabutaia, de Brenda Lígia, que não concorre diretamente com  Linguagem.

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