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E a turma do Lobo deve estar rindo à toa

Luiz Carlos Merten

03 de setembro de 2015 | 21h46

Roberto Farias estreou na direção ainda nos anos 1950 com Rico Ri à Toa, chanchada com Zé Trindade. Ele é o primeiro a reconhecer a importância que a chanchada teve para seu aprendizado. Mas certamente que foram os filmes da sua trilogia informal (Cidade Ameaçada, Assalto ao Trem Pagador e Selva Trágica) e a atividade em defesa da classe cinematográfica que levaram a Academia Brasileira de Cinema a lhe atribuir seu prêmio especial na terça-feira à noite. Já deixei isso claro no post anterior, mas se reforço é porque pego carona no título do primeiro longa de Roberto para prosseguir com o post. Quem deve estar rindo à toa é Fernando Coimbra, que ganhou sete dos 12 prêmios a que foi indicado pela Academia. Sete!, incluindo filme, diretor e atriz, Leandra Leal, tudo para Lobo Atrás da Porta. São todos prêmios defensáveis, mas só hoje, e pela curiosidade, resolvi conferir a lista de indicados. Peguei certa implicância com a premiação da Academia. Admito que existiriam vários motivos para isso, mas o principal é que não se pode premiar no segundo semestre os melhores filmes do ano anterior. É muita defasagem, um lapso de tempo exagerado. Olhem as demais academias – a de Hollywood, a francesa, a espanhola, a mexicana, a inglesa, todas fazem suas festas nos primeiros meses do ano, em fevereiro/março. E tem mais – Wagner Moura nem foi indicado para melhor ator por Praia do Futuro, de Karin Ainouz, mas eu, se votasse, ou pudesse influir, teria descarregado meus prêmios em outra freguesia. Melhor filme, diretor e ator (com certeza), tudo para Praia do Futuro, que somariam ao de melhor coadjuvante para Jesuíta Barbosa, o único prêmio com o qual estou 1000% de acordo. Por mais que admire Leandra Leal, nem ela teria sido a melhor atriz. Meu prêmio iria para Débora Secco, por Boa Sorte. E outro Carvalho, o pai, Walter, teria sido premiado pela esplendorosa fotografia (em película) nos interiores opressivos de Getúlio. O longa de João Jardim também teria recebido o prêmio de trilha, porque como a de Federico Jusid, sinto muito, não havia. Mas insisto que tudo isso é uma questão de gosto, de coerência. Só gostaria, já que O Lobo foi superpremiado, que os troféus da Academia Brasileira de Cinema tivessem força para devolver o filme ao circuito. Lobo teve um desempenho de mercado inferior ao seu potencial. Uma possível justificativa pode ter sido o tema pesado, o infanticídio. Se a premiação tivesse ocorrido antes, quem sabe?

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