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E a semente da lavoura germinou, no belo fecho da 40.ª Mostra!

Luiz Carlos Merten

11 Novembro 2016 | 08h04

Não tenho dado conta de coisas lindas que têm ocorrido comigo. Na quarta à noite, houve o encerramento da Mostra, com a projeção de Lavoura Arcaica e o consequente debate de Luiz Fernando Carvalho com Ubiratan Brasil, meu editor no Caderno 2. Luiz Fernando estava com vontade de falar, e mandou bem. No fundo, estava me sentindo culpado. No Rio, quando falei com ele, estava feliz com a exibição de seu filme no festival e aí houve aquele imbróglio sobre o projetor em 35 mm. Luiz Fernando não foi, agora veio. E bem acompanhado por amigos – os escritores Raduan Nassar e Milton Hatoum. Um lhe deu o norte para o Lavoura, o outro para Dois Irmãos, sua minissérie que vai ao ar em janeiro, na Globo. Desta vez não revi todo o filme. Cheguei perto do fim, mas peguei todo o desfecho. O reencontro de André com o pai, à mesa, o gemido da mãe (‘Poupa nosso filho!’), a dança desenfreada de Ana, que, como disse Luiz Fernando, é ‘eu’ em árabe e representa o eu mais profundo, feminino, de André. É incrível como, descontextualizada, a cena finalmente me apanhou e eu chorei, como meu querido José Carlos Avellar disse que talvez ocorresse um dia, quando ou se amadurecesse para entrar no mistério da Lavoura. A semeadura das palavras. O mito. Terminada a sessão, não fiquei muito. Estava chovendo, subi ligeiro a Augusta – era no Cinesesc – para pegar um táxi no Conjunto Nacional. Na Paulista seria mais fácil. Cheguei ofegante, botando o coração pela boca. Nem conseguia falar com o motorista. Tenho andado assim. Ontem, tinha horário num cárdio, que me pediu um monte de exames. Hoje teria um neuro, mas a saúde em segundo lugar. Tenho um café da manhã – estou indo – e na sequência a sessão de Animais Extraordinários, ou Fantásticos. E tenho feito um monte de matérias. Capas, críticas. Filmes que mexem comigo. O Nascimento de uma Nação. O ol’ prophet Nat Turner revisto pelo new prophet Nate Parker. A delicadeza das cenas do escravo convertido em pastor com a mulher – de alguma forma os ritos afros harmonizaram no meu imaginário com as danças do Lavoura -, o vômito (a consciência do horror) após a morte do patrão, Samuel, e a troca de olhares com o garoto, na cena da forca. Birth of a Nation é bem mais interessante que seus críticos, sorry. Nesta sexta, o Itaú Augusta engata três programas do Panorama Internacional do 24.ª Festival Mix Brasil de Cultura da Diversidade. O argentino brasileiros Esteros, o francês Na Vertical e o canadense É Apenas o Fim do Mundo. Não quero desdenhar de nenhum outro programa, só digo que vendo esses três o espectador já estará enfronhado no tema. Marion Cotillard é deslumbrante como a cunhada no filme de Xavier Dolan – mas quando ela não é? Dib me mostrou na rede a primeira imagem dela com Brad Pitt, após a separação de Angelina. O mundo segue, a vida vem. Até o brucutu do Trump adotou ontem um discurso mais conciliador, mas o Dib também me mostrou o vídeo dele destemperado, irrompendo numa luta para bater no juiz. Qual vai ser o Trump presidente? Lá vou eu, porque o dia promete ser longo.