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E a Miss Universo nocauteou o SAG Award

Luiz Carlos Merten

30 Janeiro 2017 | 13h27

Confesso que fiquei surpreso, porque Adriana Del Re, que edita o Caderno 2 de domingo, me pediu uma matéria prévia do SAG Award, sob a alegação de que seria transmitido pelo TNT. Cheguei em casa ontem à noite e que SAG que nada. O TNT estava em ritmo de Miss Universo. Ganhou uma dentista francesa – soube depois – e a sensação da noite foi uma miss que meu informante não soube identificar. O apresentador perguntava às garotas sobre nosso grande presidente – grande pra ti, animal – que já fez tanta coisa em tão pouco tempo – ah, sim, estou falando de Donald Trump – e ela, em seu momento Meryl Streep, esculhambou com o celerado da Casa Branca. Deve estar no YouTube. O SAG Award! Prêmio de atores, que escolhem atores, o SAG Award, do sindicato – guild -, costuma ser indicativo para o Oscar, porque, além de tudo, eles (os atores e atrizes) representam a categoria mais numerosa na Academia de Hollywood. E, este ano, os atores botaram para quebrar – três negros venceram as categorias principais. Denzel Washington, melhor ator, por Cercas, que também dirigiu – e a vitória de Denzel foi a única surpresa, porque o favoritismo era de Casey Affleck e agora a carreira dele fica incerta no Oscar -, Viola Davis, melhor coadjuvante feminina, justamente por Cercas, e Mahershala Ali, melhor coadjuvante masculino, o favorito da categoria, por Loving – Sob a Luz do Luar. O SAG Award contempla a categoria de melhor elenco, e ganhou o de Estrelas Além do Tempo, que resgata a história, até aqui desconhecida, das cientistas negras que foram essenciais na epopeia espacial dos EUA, mas que, em plena luta por direitos civis, permaneceram segregadas. Octavia Spencer, Taraji P. Henson, Janelle Monae e Kevin Costner formam o glorioso elenco e já gostei do filme, que vou ver daqui a pouco, só por quela cena em que o ‘guarda-costas’ (Costner) arrebenta, a golpes de porrete, a placa que indica o banheiro exclusivo de brancos. Como melhor atriz, não deu outra, a loirinha da vez, Emma Stone, que, como Gwyneth Paltrow, no ano em que Fernanda Montenegro concorria, tirou o Oscar de nossa grande atriz. Gwyneth levou por Shakespeare Apaixonado, Fernanda perdeu por Central do Brasil, lembram? Emma Stone ganhou por La La Land e fica fortalecida no Oscar, mesmo que lá, no prêmio da Academia, a maior das cinco indicadas seja a francesa Isabelle Huppert de Elle e sempre existe a expectativa de que a ‘superestimada’ Meryl Streep, vencendo de novo, faça outro discurso contra Donald Trump. Emma, aliás, aprendeu a lição. Agradecendo o prêmio, disse estar honrada de pertencer a uma categoria que não se cala diante das injustiças que estão ocorrendo no mundo. Meryl, na plateia, fez sinal de aprovação com a cabeça. Tudo deve estar documentado no YouTube.