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E a 8 1/2 Festa vai chegando o fim…

Luiz Carlos Merten

08 Agosto 2018 | 10h23

Termina hoje a 8 1/2 Festa de Cinema (e começa a Mostra Mundo Árabe de Cinema, mas esta é outra história). Como o Festival Varilux, a Festa é formada de filmes que têm distribuição garantida no Brasil, mas duvido que La Tenerezza, A Ternura, de Gianni Amelio, vá para os cinemas. Não sei que acordo de distribuição foi esse, mas o filme está na TV paga e só neste mês já foi exibido no Cinemax, coincidentemente, no mesmo dia 3 em que passava no Itaú Augusta. De qualquer maneira, para velhos nostálgicos como eu, que ainda não desistiram da tela grande, é outra coisa ver no cinema – acho. Naquele debate no começo do ano, em Tiradentes, um moleque na plateia ficou irritado e se botou a falar alto com seus companheiros – mas não ouvia o que disse. Foi quando eu disse que agradeço todos os links que as distribuidoras me oferecem. Filme eu vejo no cinema, nem que seja depois da estreia. Imagino que ele tenha comentado que é um luxo que eu, como jornalista veterano, conhecido no meio, me posso dar. A verdade é que todo o processo de fazer e ver cinema está passando por uma transformação. As pessoas entram para ver La Tenerezza carregando o saco de pipoca e o refrigerante, fazem barulho, falam – num filme silencioso, intimista! -, como se estivessem assistindo a Transformers. Aliás, quando veio apresentar o exemplar mais recente da série – odeio a palavra franquia -, Michael Bay disse que se tratava do filme mais caro porque havia desenvolvido câmeras e sistema de som exclusivos para passar no cinema. Seu filme, insistiu, era uma experiência audiovisual cinematográfica, concebida para salas dotadas de som e imagens avançados. Nada de outras plataformas. Talvez Michael Bay não seja o melhor exemplo, embora eu o defenda quando vai filmar em Monument Valley. Só aquela paisagem, um solo sagrado do cinema, confere a seus filmes uma dimensão meio mítica para fordianos de carteirinha como eu. Tudo, no cinema, é sempre uma questão de ‘olhar’. Ver filmes é uma coisa. Olhar, fruir, escutar é outra, e é isso que está morrendo. Ao ver o filme em outra plataforma, na maioria das vezes só interessa a história, e a fruição se perde. Agora, imagine a história de Marienbad, de 2001. Existem histórias nesses filmes, mas certamente não são o que a gente retém. Só para encerrar. Não consegui ver ontem Aqui em Casa Tudo Bem, o Gabriele Muccino – estava entrevistando Fabiula Nascimento. Meus melhores filmes, nessa edição da Festa, foram Pobres mas Ricos e Made in Italy, que tem sessão hoje às 16h20 no Itaú Augusta.