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Dupla efeméride de Anthony Hopkins, 80 e 50

Luiz Carlos Merten

31 Dezembro 2017 | 12h57

Anthony Hopkins completa hoje, 31 de dezembro, 80 anos. Fiz um texto para o portal e ele foi distribuído pela agência Estado. O curioso é que, no ano que vem, que começa em poucas horas, vão se completar 50 anos da estreia dele no cinema, com O Leão no Inverno. Isso significa que tinha 30 anos quando interpretou o príncipe Ricardo, futuro Coração de Leão, filho de Henry II e Eleanor de Aquitânia, na adaptação da peça de James Goldman por Anthony Harvey. Peter O’Toole e Katharine Hepburn interpretam o casal real, e ela ganhou o Oscar, seu terceiro, após Morning Glory e Adivinhe Quem Vem para Jantar? Ainda haveria mais um (prêmio da Academia), o quarto, por Num Lago Dourado. É curioso, mas parei de redigir e fui procurar a coleção de Guia de Filmes (do INC – que tenho). Há uma crítica pesada de The Lion in the Winter, não me lembrava se de Sérgio Augusto ou de Paulo Perdigão. É do segundo – PP. Ele condena o show de exibicionismo (dos atores), o excesso de falatório e a câmera que só tem a ambição de substituir a cortina do teatro, comparando que, por trás da magnificência da realeza, a única coisa que o filme quer demonstrar é que reis e rainhas são pessoas comuns vivendo dramas prosaicos como os mexericos de Peyton Place/A Caldeira do Diabo, de Mark Robson, que havia virado referência para esse tipo de fuxico em 1957. Não contente, PP acrescenta que O Leão no Inverno não deixa de ser – pelo estilo pesado, enfático e hiper-dialogado – uma sequência de Becket, o Favorito do Rei, de Peter Glenville, também baseado numa peça (de Jean Anouilh). Com uma cajadada, o crítico nocauteia dois filmes, e os dois viraram cults, com defensores que não hesitam em situá-los entre os melhores da década. Peter O’Toole, de novo, e Richard Burton duelam em Becket, valendo destacar que o ex de Elizabeth Taylor, galês como Anthony Hopkins, foi decisivo no reconhecimento do talento do ator jovem, exortando Hopkins a prosseguir. Ele perseverou e fez filmes como Nunca Te Vi, Sempre Te Amei, com Anne Bancroft, antes de receber o Oscar, em 1991, pelo Hannibal Lecter de O Silêncio dos Inocentes, de Jonathan Demme. O resto é história. Hopkins virou ‘Sir’, não parou de filmar – demais, até – e entre muita porcaria fez algumas coisas boas, entre as quais coloco o carismático Odin, pai do herói, na série Thor, com Chris Hemsworth, o Nixon de Oliver Stone e o Hitchcock de Sacha Gervasi. Os dois últimos foram verdadeiros tours de force, porque, em princípio, Hopkins não tinha psysique para os rôles. São, portanto, duas efemérides de Anthony Hopkins, 80 anos de idade e 50 de cinema.