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Drácula, uma questão de rigor

Luiz Carlos Merten

20 Setembro 2018 | 19h29

Ainda não tive tempo de postar que, no domingo, fui ao CCBB para ver o segundo programa da série Histórias Extraordinárias. Achei interessante a adaptação de O Poço e o Pêndulo, de Edgar Allan Poe, por Heloisa Freixas, mas não gostei da encenação de José Roberto Jardim. Muita pirotecnia, como em A Cor Que Caiu do Espaço, adaptado de H.P. Lovecraft, no primeiro programa. Espero que não tenha sido consequência da decepção provocada pelo alinhamento de Roberto Alvim com a candidatura de Jair Bolsonaro, mas gostei menos do Drácula dele que de Frankenstein. O monólogo, do próprio diretor, privilegia a ligação do sugador de sangue com a mãe e essa é uma releitura intrigante de Bram Stocker, mas me provocou estranhamento ver Cacá Carvalho interpretar Juliana Galdino, ou assim me pareceu. Por que não a própria Juliana, sempre poderosa? Por causa da mãe do Drácula? Cacá é um ator que tem uma trajetória, não sei o que esperava, mas o que vi não era. Luz e sombra, recursos vocais, ele tem um gran finale, saindo de cena, mas fiquei me perguntando, e imaginando, como seria o Drácula com Juliana? O peso da imortalidade – o da desumanidade em Frankenstein. Roberto Alvim, agora saco de pancada aos olhos da própria categoria – #EleNão-, me pareceu menos rigoroso, e o rigor é a grande marca do seu teatro, que Juliana encarna genialmente. Nesta semana teremos o terceiro programa, com duas montagens de Alvim. Estou louco para ver A Guerra dos Mundos, de H.G. Wells, na adaptação de Daniela Pereira de Carvalho, com Juliana Galdino. E logo O Médico e o Monstro, de Robert Louis Stevenson, adaptado pelo diretor, com Cacá. Depois, sim, será possível falar nas Histórias Extraordinárias como um todo.