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Dos Prazeres e a memória de uma p… triste (salva pela libido)

Luiz Carlos Merten

18 de janeiro de 2020 | 22h25

Foi, ou tem sido uma semana de reencontros. Cláudio Fontana, Gabriel Villela. Fomos, neste sábado, Orlando Margarido e eu, ver o Ivan Andrade no Sesc Vila Mariana. Dos Prazeres, uma adaptação do conto de Gabriel Garcia Márquez. A prostituta que tem – num sonho – a premonição de que vai morrer e prepara o próprio funeral. Sem marcar nada, encontrei o Gabriel, que também estava na plateia. Trocamos de lugares, sentamos juntos. Conversas sobre arte, cinema e TV. A queda de Roberto Alvim. Ecos de Sérgio Augusto – o Brasil, com essa gente no poder, é hoje uma referências de ridículo no mundo. Ouvi lá pelas tantas que Ivan é o mais belo diretor do teatro brasileiro – e aí, cara? Poderoso. Talentoso, também. No final, confraternizamos. Ivan foi assistente de Gabriel. Mestre e discípulo, agora ambos diretores/autores. Fomos apresentados à atriz, Maristela Chelala. O projeto é dela. Maristela contou de sua primeira conversa com Ivan. Ele disse que não gostava de monólogos. Ela retrucou no ato que era o diretor que queria. Ivan criou uma dinâmica – luz, música, uma figura fora de cena, Raquel, com quem Maria dos Prazeres interage todo o tempo. Nem parece monólogo. O texto de Ivan Marsiglia é rico em referências à Guerra Civil espanhola. Maria, sentindo-se velha, gasta, solitária, treina o cachorro para ir chorar em sua sepultura. No limite, recebe um chamamento do sexo e é salva pela libido. García Márquez e a memória de suas putas tristes. Na saída, Gabriel foi embora e fomos, Orlando eu, jantar no Ciao. Fichi al formaggio, um risoto dos deuses. Vinho. Foi, como dizem os italianos, una bella serata.

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