As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Dor e Glória é um Almodóvar dos maiores

Luiz Carlos Merten

12 de junho de 2019 | 22h48

Meu Dia dos Namorados não teve romance, mas foi bem intenso. Pela manhã, fui com o Carlos, físio, à cabine da Universal para ver o Almodóvar. Amei Dor e Glória, que é dos maiores filmes de Pedro. Um filme sobre o desejo – o primeiro desejo – e ele cria cenas que já entraram para o meu Olimpo. O reencontro de Salvador, o cineasta dentro do filme, com seu grande amor, Leonardo Sbaraglia, e o diálogo entre mãe e filho, Salvador/Antonio Banderas e Juliana Serrano, como a ‘velha’ Penélope Cruz. Não pude deixar de pensar em Dib Carneiro, um grande dramaturgo. O filme é tão bem escrito. Vai ver, cara. Almoçamos, e a cuidadora, Ana, juntou-se a nós no Meats. Cheguei em casa e ainda tinha a físio, e um monte de matérias para escrever. A retrospectiva, que não é integral, de Henri-Georges Clouzot, que começa nesta quinta, 13, no IMS, e os textos sobre Dor e Glória, que entra hoje – a crítica do filme (cinco estrelas!) e uma pecinha (é a vovózinha) sobre a parceria de Almodóvar com Banderas, que começou lá atrás, há 37 anos!, com Labirinto de Paixões. E ainda tinha os destaques de filmes na TV. O problema é que eu não conseguia desgrudar o olho da TV paga, que reprisava O Poderoso Chefão 2. Que que é aquilo? Puta filme. A essa altura, meu editor, Ubiratan Brasil, me ligara para dizer que o Caderno ia fechar mais cedo, às 8. Mandei o Clouzot, concluí o Almodóvar, 4 mil caracteres, e aí deu m… Resolvi salvar, antes de enviar o texto como e-mail, e bati na tecla errada. Deletei, e não houve jeito de recuperar. Já eram quase 6, não sei como consegui refazer os textos, no plural. Almodóvar, Banderas, os destaques da TV paga. Foi punk, mas tenho de admitir que gosto dessa adrenalina. Ainda deu para ver, na Globo, um pedaço da novela das 7, a corte de Raimundo, o personagem de Flávio Tolezani, a Dira Paes, em Verão 90. Tolezani foi, acho que será sempre, ator de Gabriel Villela e fez com a mulher, Natalia Gonsalez, a Carmen que Luís Farina adaptou da obra de Prosper Merimée, com direção de Nelson Baskerville. Gosto muito desses dois, e ele, como paraibano arretado, tem feito um belo trabalho. Gostei tanto de Dor e Glória que, com toda certeza, voltarei ao Almodóvar, como espero voltar ao Clouzot. A todos os enamorados do mundo, meu carinho. E, agora, preciso descansar. Caminhar de bengala, como já estou fazendo – Carlos não dá moleza -, termina provocando dor na mão. Preciso relaxar. Antes, uma última observação. Entendo que um presidente do júri – de Cannes – como Alejandro González-Iñárritu tenha preferido um filme de gênero. E isso só aumentou minha curiosidade por Parasite, que venceu a Palma de Ouro. Mas, por mais que goste de Bong Joon-ho, como gosto, o Almodóvar me pareceu tão maravilhoso que… Chega! Preciso ver logo Parasite.

Tendências: