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Dom Roberto!

Luiz Carlos Merten

28 Julho 2016 | 16h23

Não sei se o título ainda permanece com o filme, mas, durante muito tempo, Macario, de Roberto Gavaldón, foi o filme mais premiado da história do cinema mexicano. As láureas não foram apenas nacionais, foram internacionais. O filme é de 1959, devo tê-lo visto em 1960 ou 61. Já conhecia O Sétimo Selo, de Ingmar Bergman, e de alguma forma pareceram ao jovem que eu era filmes irmãos. O Bergman é sobre o cavaleiro que joga xadrez com a morte. Macário é sobre o camponês que fala com a morte e, eventualmente, consegue interceder pela vida das pessoas. Atribuem-lhe, por isso, curas milagrosas, mas a única coisa que ele faz é olhar a morte na cabeceira dos enfermos e ela lhe faz o sinal de que vai levá-los, ou não. Descobri bem depois que ‘Dom’ Roberto foi uma das figuras históricas do cinema mexicano, e que tendo feito sua formação em Hollywood levou para o cinema mexicano de estúdio – Churubusco Azteca -, o gosto pelo controle da imagem, a fascinação pelas divas e por gêneros como o melodrama e o noir. Vi no Festival latino Irmãs Malditas, La Otra, de 1946, com Dolores Del Rio fazendo a irmã sofredora que comete um assassinato, mata a outra e assume sua identidade – eram gêmeas – e termina condenada porque a hermanita havia assassinado, com o amante, o marido milionário. É curioso, mas existem em Irmãs Malditas elementos que aproximam o filme do clássico melodrama criminal – ou noir – Amor Foi Sua Ruína, de John M. Stahl, com Gene Tierney, que estava sendo feito em Hollywood no mesmo ano. Não creio que Irmãs Malditas seja grande, mas gostei muito de ter visto o filme. A fotografia é de Alex Phillips, canadense que se estabeleceu no México depois de uma passagem pela Rússia e foi um dos grandes fotógrafos do país (teve um filho, Alex Phillips Jr., que prosseguiu a tradição familiar). Pelo controle da luz, pelo claro/escuro e pela preferência pelo estúdio, Phillips me faz lembrar o inglês Chick Fowle na Vera Cruz. Esses ‘estrangeiros’ foram decisivos nas aventuras industriais do cinema latino, nos anos 1940 e 50. Gostaria muito de ter visto El Manto de Soledad, outro Gavaldón, no festival, mas tive dois dias muito corridos na terça e quarta. Não coloquei a procedência, mas esse post está sendo escrito de Nova York. Cheguei hoje, quinta, pela manhã e daqui a pouco assisto a Suicide Squad. Amanhã entrevisto o diretor David Ayer, Will Smith, Margot Robbie e o restante do elenco. E, ah, sim, está um calor de torrar em Nova York.