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Dois velhos sonhadores, Raymond Depardon e eu

Luiz Carlos Merten

28 Dezembro 2017 | 15h45

Estreiam nesta quinta, 28, Roda Gigante, de Woody Allen, e O Jovem Karl Max, de Raoul Peck. Kate Winslet, a melhor atriz do ano? E, se não for ela, quem será – Cynthia Nixon, de Além das Palavras? Não ponho fé na Academia, realmente. Mas, antes, quero falar de O Rei do Show. Gostei, e muito. Um feel good movie. Não creio que seja acurado, ao narrar (romancear?) a vida de P.T. Barnum. Sei que o cara foi pioneiro, dos primeiros ou o primeiro ao fazer fortuna, nos EUA, com o showbiz. Criou um circo de freaks, não necessariamente de horrores. O filme é sobre a diferença. Diferenças, no plural. Não faço a menor ideias de quem é Michael Gracey, o diretor, mas a produção traz nomes conhecidos. James Mangold, que esteve associado a Hugh Jackman nos dois Logans. Bill Condon. Bill quem?
Deuses e Monstros, A Saga Crepúsculo, A Bela e a Fera live action. Fizeram essa bela ode à diversidade e à humanidade. Chorei, e chorei duplamente porque tive de parar de redigir para entrevistar Raymond Depardon, pelo telefone, na França. Sua exposição de fotos está no Rio e, em breve, começa aqui a retrospectiva de seus filmes. Depardon fotografa e filma pessoas. Como fotógrafo, documentou, no Chile, os movimentos populares sob Salvador Allende. Como diretor, para mim, pelo menos, sua obra-prima é 10.ème Chambre, sobre o funcionamento da 10.ª Câmara de Justiça de Paris, que julga os pequenos crimes. Falei para ele de minha recente experiência na Argentina. Mesmo com o câmbio totalmente a favor da gente – 5,6 pesos compram um real -, Buenos Aires está caríssima. Como as pessoas (sobre)vivem? Na Argentina, mais até que no Brasil, os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres, mais pobres. Na conversa com Depardon, o assunto caiu em Raoul Peck e seu jovem mosqueteiro chamado Karl Marx. O trabalho valoriza a mercadoria. O trabalho escravo, infantil está na base da riqueza desse sistema. Com Depardon, e discutindo O Jovem Karl Marx, chegamos à conclusão, dois velhos sonhadores, que não se deve perder a esperança. Jamais.