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Dizer o indizível

Luiz Carlos Merten

03 Julho 2016 | 13h21

Renata de Almeida deve se lembrar. Michael Cimino não foi o único morto de ontem, sábado, 2. Morreu também Elie Wiesel, escritor que venceu o Nobel. O que Renata tem a ver com isso? Em 1996, já estava em São Paulo e vi na Mostra um filme chamado Dizer o Indizível – A Mensagem de Elie Wiesel. Fui pesquisar para ver o nome da diretora, porque não me lembrava – Judit Seget. Dez anos antes Wiesel fora premiado com o maior prêmio de literatura do mundo e o Comitê do Nobel disse que lhe outorgava a distinção pela memória do Holocausto que ele colocava em seus livros. Denunciar o horror era uma maneira de lutar pela paz. Judit levou Wiesel numa dura jornada. Foram a Sighet, cidade onde ele nasceu e que naquele tempo pertencia à Hungria. Hoje, está na Romênia. Em abril de 1944, os nazistas, com a cumplicidade dos nacionalistas húngaros, prenderam todos os judeus de Sighert, despojaram-nos de seus bens e, encurralados como gado, despachou-os nos trens da morte para campos como o de Auschwitz, no qual morreram o pai, a mãe e a irmã do futuro escritor, que contava então 15 anos. Tendo sobrevivido, Wiesel dedicou-se a lembrar aquela barbárie, mas como se diz o indizível? Era, até onde me lembro, um filme bem forte. Pode ser que, pesquisando, eu encontre mais registros de Elie Wiesel no cinema, mas esse me basta para honrá-lo aqui.