As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Divisão salomônica

Luiz Carlos Merten

21 Setembro 2013 | 09h51

Salvei o texto anterior e pesquisei na internet para confirmar o horário de Jiseul no CineSesc – 17 h, está certo -, mas aí descobri que a sala mostra, às 22 h, Heli, de Amat Escalante, que ganhou o prêmio de direção em Cannes, atribuído pelo júri de Steven Spielberg. É outra porrada e eu confesso que, em Cannes, havia perdido a primeira sessão de imprensa, às 19 h de sei lá que dia (não lembro mais). Cheguei a pensar em desistir e arriscar para ver na repescagem do último dia, porque a brasileirada me falou muito mal de Heli, mas meu anjo é forte e lá fui eu às dez da noite. Tomei um choque com a brutalidade e crueza da mise-en-scène de Escalante, e desde logo achei que o filme teria de ser premiado, só não esperava que fosse com a melhor direção. Arriscava um prêmio do júri, não o grande prêmio, algo assim, Por falar nos premiados de Cannes nem o Festival do Rio nem a Mostra de São Paulo vão trazer o vencedor da Palma de Ouro – A Vida de Adèle, de Abdellatif Kechiche. Jean-Thomas Bernardini, da Imovision, que distribui o filme, não quis optar, mas seria bom se ele lançasse logo, sem esperar pelo ano que vem. Os dois maiores eventos de cinema do País dividem-se salomonicamente e apresentam os dois maiores filmes de Cannes em 2013 – o Rio vai exibir L’Inconnu du Lac, de Alain Guiraudie, e a Mostra, A Touch of Sin, de Jia Zhang-ke. Ouso dizer que o Guiraudie é ainda melhor, mas espero rever os dois para tirar a teima.