As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Diário de Cannes (6)

Luiz Carlos Merten

15 de maio de 2014 | 10h03

Festival de Cannes

CANNES – A manhã começou hoje com Mr. Turner, o novo Mike Leigh, com Timothy Spall na pele de J.M.W, Turner, o mestre inglês das paisagens – marítimas, principalmente – que viveu entre 1775 e 1851, exercendo profunda influência sobre os impressionistas, na França. Posso até ser chamado de esquerdista infantil, mas, assim como viajo no cinema de Ken Loach, que sempre me encanta, tenho uma relação mais difícil com o de Mike Leigh. Gosto pontualmente de Naked, Segredos e Mentiras e Another Year, mas em, geral me incomoda o que deve agradar aos outros – a representação dos ingleses. São estereótipos – excêntricos, chatos, esnobes, caricatos. Para representar os seus dessa maneira, o cara – o ‘autor’ -, deve ter um tremendo complexo de superioridade ou ter ódio do seu berço. Brincando com o Carlos Eduardo, de Londrina, e Neusa Barbosa, disse-lhes que tinha identificado uns 30 assuntos em Mr. Turner e nenhum tema. Talvez exagere, mas até asgora, e depois de já ter visto outro filme, estou me perguntando o que Mike Leigh quis dizer com o filme. Ele fala da relação do artista com o pai, com as mulheres, a Academia, os críticos, os colegas, a natureza e tenta iluminar sua relação com a luz – há uma cena interessante, em que intervém uma cientista (a luz segundo a arte e a ciência) -, mas tudo me pareceu muito disperso. Mas é um filme bonito, visualmente, e – dentro das chatura como os ingleses são vistos -, bem interpretado. Turner tem uma criada/governanta que o idolatra, e com quem eventualmente faz sexo. A pobre mulher, seca, meio encurvada, sem graça, parece saída de um livro der Charles Dickens. Achei relevante uma coisa que Mike Leigh. Mr. Turner custou pouco mais de 10 milhões de libras, e isso é mais do que ele gasta, habitualmente, mas pouco para um filme que, além da reconstituição de época, lida com cenas no mar (sempre difíceis) e com a recriação, em plena natureza, de quadros em que a luz está sempre mudando. Ele agradeceu ao elenco – e ao baixo orçamento, que o forçou a ser criativo e a desmontar dificuldades o tempo todo. Temo ser preconceituoso, mas não resisto a postar – fazia tempo que não via um filme com tanta gente feia (de certo para compensar a beleza dos quadros). Já conhecia vários dos atores, que integram o coletivo de teatro e cinema de Mike Leigh. Não resisti a passar pela coletiva para vê-los. Estavam todos muito coloridos, e bem apresentáveis. Nenhum é tão feio como Mike Leigh os apresenta em cena, uma opção deveras curiosa para um diretor de cinema,.

Tudo o que sabemos sobre:

Festival de Cannes

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: