As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Diário de Cannes (39)

Luiz Carlos Merten

25 de maio de 2014 | 04h54

CANNES – Embarco daqui a pouco para Paris, mas não resisto a acrescentar mais um ou dois posts de Cannes, dando conta desse festival que, como todo ano, reservou grandes momentos aos que dele participaram. Quero falar de Xavier Dolan e da decepção que tomou contas das sala de imprensa, quando foi anunciado o prêmio do júri para Mommy. A maioria, senão todos, acreditávamos que o filme merecia mais, mas, como já escrevi, foi pelo menos uma escolha coerente unir o mais jovem integrante da competição – Xavier tem 25 anos – e o mais velho – Jean-Luc Godard, com 83 – na mesma medalha de bronze como os que mais ousaram no questionamento da linguagem, e da próprias forma, nessa edição. Pode-se diosacutir o Grand Prix, a medalha de prata, paras a italiana Alice Rorhwacher, de Le Meraviglie, mas também seria injusto negar todo valor a sua ficção nas bordas do documentário, sobre umas família de apicultores da Umbria. Mas o que quero postar é isso – Xavier Dolan fez o mais longo agradecimento da noite, e sob múltiplos aspectos o mais bonito. Falou de sua alegria de estar naquela sala – o Grand Theatre Lumière, um templo do cinema – e fez um agradecimento especial à presidente do júri, Jane Campion. Xavier disse que, até onde se lembra, O Piano foi o primeiro filme que viu, e que o marcou. Não foi só uma emoção estética, foi algo mais profundo. Despertou nele um fascínio pelas mulheres que o levou a querer escrever e dirigir filmes sobre e para elas, mostrando que não são só objetos de desejo. Madame la presidente ficou tão tocada que se levantou de sua cadeira e atravessou o palco para abraçar e beijar o jovem diretor. Um close na plateia mostrou que a atriz Anne Dorval estava às lágrimas. Com a outra atriz do filme, Suzanne Clément, ela tem estado presente no cinema de Xavier Dolan, acompanhando a evolução do seu menino. E ele está evoluindo. Aos 25 anos, cinco filmes, um habitué de Cannes, Xavier Dolan ainda vai chegar lá. À Palma de Ouro. E eu espero ver.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.