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Diário de Cannes (3)

Luiz Carlos Merten

14 de maio de 2014 | 11h49

Festival de Cannes

CANNES – É curioso lembrar, mas Nicole Kidman se chamava Grace em Dogville, de Lars Von Trier, não? E já era um filme sobre o sacrifício – mera coincidência? Logo após a coletiva de Grace de Mônaco, houve a do júri. Ah, sim, antes de ir adiante, convém acrescentar que está tudo resolvido. Os Weinstein são distribuidores de  Grace, não produtores. Chegaram a um acordo com Olivier Dahan e seus produtores (da Stone Angels). Dahan antecipou que ajustes serão feitos na versão que abre Cannes, mas serão feitos em colaboração. Sabe lá o que os Weinstein querem mudar? Os moguls que bancaram Quentin Tarantino e boa parte do cinema de autor made in Hollywood não brincam em, serviço. E, invariavelmente, conseguem o que querem. Adiante – todo ano a coletiva do júri repete a mesma pantomima. Não mudam as perguntas nem mesmo quem as fazem. A presidente Jane Campion negou que seu júri (Sofia Coppola, Jia Zhang-ke, Carole Bouquet, Gael García Bernal, Michael Winding Fern, Willem Dafoe, Leila Hatami e Jeon Do-Yeon) e ela tenham uma agenda. A pergunta de sempre é – o que Madame la Presidente quer premiar, ou gostaria de premiar, como se já viesse com um programa pronto para ajustar aos filmes concorrentes à Palma de 2014. Os momentos mais interessantes foram intimistas – Jane, única mulher a ganhar a Palma de Ouro (em 67 anos de festival!) – contando como sua vida foi moldada pelo cinema e reclamando da ausência de democratismo. Não é por falta de talento que as mulheres são minorias nos grandes festivais. Para tentar compensar isso, e usando de sua atribuição de compor o júri com o festival, leia-se Gilles Jacob, ela selecionou mais mulheres que homens. Vejamos o que esse júri pretensamente  feminista vai nos reservar no final. Só para vocês ficarem com água na boca. Depois do Sissako de hoje à noite, teremos amanhã Mr. Turner, de Mike Leigh, sobre o pintor, o grande paisagista que influenciou os impressionistas.

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