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Diário de Cannes (25)

Luiz Carlos Merten

24 de maio de 2014 | 12h13

CANNES – Continuei vendo filmes hoje pela manhã. Amour Fou, de Jessica Hausner, sobre o dramaturgo Heinrich Kleist e seu trabalho de convencimento da prima a se suicidar com ele. O caso terminou em assassinato da garota e suicídio dele, tudo narrado com gélido distanciamento. Interessante. Na sequência vi La Chambre Bleu, de Mathieu Amalric, inspirado em Georges Simenon, e vocês sabem como gosto dele. Bom filme. É mais do que posso dizer do novo Assayas, que me desconcertou. Um filme sobre a paixão do teatro, sobre o teatro da vida. Juliette Binoche faz uma atriz que ficou famosa por interpretar a jovem de uma peça meio Petra Von Kant, sobre a ligaçã0o da garota com uma mulher mais velha, que termina se suicidando. Agora, 20 anos depois, ela muda o ângulo e faz a suicida. Num evidente exagero, Le Fígaro considerou Juliette Binoche a pior atriz do festival, mas o jornal também concedeu sua Palma de Chumbo ao soporífico, segundo as definição de seus críticos, Winter’s Tale, de Nuri Bilge Ceylan. O turco é um dos meus favoritos paras hoje à noite, com Still the Water, de Naomi Kawase, do Japão, e Timbuktu, de Abderrahmane Sissako, da Mauritânia. Ceylan recebeu o prêmio da crítica para os filmes da competição. O júri era presidido por um turco, o que eu registro sem querer levantar suspeita, talvez querendo sugerir que Pablo Trapero, que presidia o júri de Um Certain Regard, também deveria ter bancado a vitória de seu compatriota Lisandro Alonso. Jauja, afinal, ganhou o prêmio da crítica na seção. Sobre o russo, impressionou-me, tanto quanto a mise-en-scène elaborada, a visão que o cineasta tem da Rússia. Le Mani sulla Città. Um empreendimento imobiliário num lugar no fim do mundo expõe a corrupção e a violência do novo czar, Putin.a se julgar por Svyaguintsev e Sergei Loznitsa, Deus nos livre da Rússia, mas não de seu cinema. Leviathan é muito bem-feito e só me decepcionou um pouco que o autor, indo tão longe na sua crítica, tenha recuado na entrevista. Ou então era um movimento de sobrevência.O filme já é duro por si só, Svyaguintsev talvez se expusesse ao colocar mais lenha na fogueira.

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