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Diário de Cannes (24)

Luiz Carlos Merten

25 de maio de 2013 | 13h00

CANNES – E o prêmio da crítica (Fipresci, Fédération Internacionale de la Presse Cinématographique) acaba de ser atribuido a…. Tãtãtã – A Vida de Adele, de Abdellatif Kechiche. Honestamente, não tinha muita duvida de que isso fosse ocorrer, mas fiquei particularmente feliz ao descobrir que, entre os críticos que integrtaram o juri da Fipresci, está Chris Fujiwara, dos EUA, autor do  belíssimo livro sobre Otto Preminger ao qual me referi várias vezes no blog. Não só pela análise brilhante, mas pela erudição – e sem as notas de rodapé com que os críticos brasileiros ligados à Academia (à Universidade) tentam nos fazer crer que sabem mais que a gente -, creio que é um dos grandes livros sobre cinema que já li, resgatando um autor pelo qual tenho a maior admiração (e que anda injustamente esquecido). O júri da Fipresci outorgou mais dois premios – a um filme da mostra Un Certain Regard (Les Manuscrits ne Brulent Pas, de Mohammad Rasoulof, do Irã) e outro das demais seções, Quinzena dos Realizadores e Semana da Crítica (Blue Ruin, de Jeremy Saulnier, da Quinzaine). A entrega dos prêmios ocorreu no Salon des Ambassadeurs, no quarto andar do Palais, e Kechiche foi representado por seu produtor – ele já voltou para Paris. Espero, do fundo do meu coração, que seja chamado às pressas para a festa de premiação da Palma, que será amanhã à noite. O júri ecumênico, do OCIC, Office Catholique Internationale du Cinéma, foi para O Passado, de Asghar Farhadi, com uma menção para Tal Pai, Tal Filho, de Hirokazu Kore-eda.  Foi dito – pelo representante do prefeito de Cannes – que se trata do 40.o prêmio do OCIC. Isso significa que o primeiro foi atribuido nos anos 1970. Eu era capaz de jurar que já, desde os 50, Cannes desse o prêmio ecumênico. Vários filmes da minha infância e juventude vinham com a credencial desse prêmio, que antigamente contava mais – o mundo era outro, humanismo, paz e solidariedade tinham outro significado, realmente.

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