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Diário de Cannes (24)

Luiz Carlos Merten

24 de maio de 2014 | 11h53

CANNES – Desculpem, mas ontem simplesmente não tive tempo de postar. Passei o dia correndo. Vendo filmes, fazendo entrevistas, redigindo matérias. Não dei conta nem do russo Andrei Svyaguintsev, com seu magnífico Leviathan, nem do francês Olivier Assayas, com seu decepcionante (em termos) Sils Maria. Entrevistei Ken Loach, Paul Laverty e Svyaguintsev. Assisti à coletiva de Quentin Tarantino, que vocês também podem ver no site do festival. Assisti também à premiação da mostra Um Certain Regard, e foi a ocasião de trocar duas palavras com Pablo Trapero, que presidia o júri, e com Juliano Ribeiro Salgado, codiretor (com Wim Wenders) do filme sobre seu pai, o grande fotógrafo Sebastião Salgado – The Salt of Earth. O documentário sobre ‘Tião’, como o filho o chama, ganhou um prêmio especial do júri, merecido, acrescente-se. Após a premiação, passou o vitorioso da seção – White God, de Kornél Mundruczó, um filme terrível que metaforiza o ódio à diferença que é uma das tragédias do mundo moderno. Só que, em vez de falar de gente que discrimina e mata gente, o diretor usa cães para denuinciar os cães. Como no Planeta dos Macacos, os cães se rebelam – imagino a complexidade que tenha sido filmar com aqueles cães todos. E minha noite ainda não havia terminado. Corri ao Cinema de la Plage para ver mais da metade (ainda) de Pulp Fiction, em presença do diretor e parte de seu elenco, Uma Thurman e John Travolta, que veio a Cannes para a noite da AmFar, a associação criada por Elizabeth Taylor para apoiar a luta contra a aids. Fazia tempo que não via o filme. O festival que faz daqui a pouco, a partir das 7 da noite (2 no Brasil), a premiação, serviu de palco para muitas celebrações em 2014. Foram os 50 anos de Matrimônio à Italiana, de Vittorio De Sica, com a madrinha de Cannes Classics, Sophia Loren, e ela contou que chorou ao chegar ao palais, para a montée des marches, e ver a imagem de Marcello Mastroianni que fornece o pôster deste ano. São também os 30 anos da Palma de Ouro de Paris, Texas, de Wim Wenders. E os 20 da de Pulp Fiction, que continua um filmaço. Com tanta coisa rolando, está explicado porque não dei sinal de vida.

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