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Diário de Cannes (23)

Luiz Carlos Merten

22 de maio de 2014 | 07h48

CANNES – Não sou muito versado em Xavier Dolan. Reconheço que conheço pouco a obra do autor canadense que é, apesar da pouca idade – 25 anos – um habitué da Croisette. Cinco filmes e todos passaram aqui, em diferentes seções. Com Mommy, Dolan chega à competição. Ele admite que fez o primeiro longa, Comment J’ai Tué Ma Mère, numa época em que realmente queria matar sua mãe. E fez agora Mommy como uma vingança – dela. A mãe e a vizinha são duas personagens excepcionais. O filho é TDAH, sofre de transtorno de falta de atenção. Forma-se um triângulo inusitado. O filme baseia-se numa lei do país permite aos pais internarem os filhos sem diagnóstico. Tudo conspira contra Mommy. Os personagens gritam, não falam, um quebecois que soa como piano desafinado no ouvido da gente. O formato é menos que quadrado, como se Dolan quisesse abrir uma fresta, não uma janela, para olhar esses personagens, e as legendas pareciam escritas com metade do corpo normal. A despeito de tudo isso, Xavier Dolan fez um belo filme – o melhor que já vi dele. Como mãe e até avó – ela começou a fazer filmes no começo dos anos 1980, antes que Dolan nascesse -, a presidente do júri, Jane Campion poderá querer avalizar o talento do mais jovem competidor à Palma. E, depois, as mulheres do filme, interpretadas por Anne Dorval e Suzanne Clement – as atrizes preferidas do diretor -, são muito/muito fortes.

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