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Diário de Cannes (18)

Luiz Carlos Merten

20 de maio de 2014 | 21h03

Festival de Cannes
CANNES – O novo Techiné, L’Homme qu’On Aimait Trop, baseia-se num caso criminal famoso na França. A herdeira de uma rica familia da Cote d`Azur – a mãe era dona de cassino – desapareceu misteriosamente. O corpo nunca foi encontrado e a mã, 30 anos depois do affair, conseguiu levar o ex-companheiro da filha, que havia sido seu advogado, ao tribunal. O cara teria ligações com a Máfia, que se apossou do – e liquidou o – cassino da mãe gracas ao voto da filha, que a traiu, no conselho de administração. O Ho,mem que Elas Amavam Demais, ou Em Nome da Filha/In the Name of the Daughter, título internacional em, inglês. E antes de morrer, a garota passou seus bens para uma conta conjunta que o marido transformou em conta única, no Panamá, para onde se transferiu. Catherine Deneuve reencontra um de seus diretores preferidos para fazer, finalmente, o papel de velha. Ela nao tem nenhum interesse amoroso – como tinha em Elle s’en Va -, apenas amargura e dor. Guillaume Canet, o sr. Marion Cotillard, faz o cafajeste. A dúvida permanence ateh o fim – apesar das evidências, não há provas de que ele matou. E o corpo nunca foi encontrado. Embora não existam provas, o próprio filho, depois de apoiar o pai, o denunciou por assassinato e ele foi condenado. O horror, o horror, mas certamente não um grande filme, menos ainda o filme que se poderia esperar de Techiné. E logo em seguida veio Long River, a estreia de Ryan Gosling. Havia um monte de gente ilustre na plateia da Sala Claude Debussy, a começar port Wim Wernders e Nicolas Winding-Fern, parceiro de Gosling no filme que fez dele um mito, aqui em Cannes – Drive. Nunca vi tantas garotas histéricas numa sessão cannoise – gritavam “I love you, Ryan’. O filme é a versão decadente de Veludo Azul, de David Lynch, com um vilão perverso que igualmente se chama Frank. Passa-se numa cidade que está morrendo. Pai, mãe e dois filhos, o tal Frank que se apossou do lugar (e corta, com tesouras, a língua de quem o enfrenta). O filtro está na degradação – parte da cidade foi inundada por um lago artificial.  Certo está Wenders, que se escafedeu no final, sem nem cumprimentar Ryan Gosling. O problema é que, justamente, teria de ser muito cínico para achar o que cumprimentar.

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