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Diário de Cannes (14)

Luiz Carlos Merten

19 de maio de 2014 | 14h14

Festival de Cannes
CANNES – Terminei meu post anterior com uma pergunta – Robert Pattinson é o novo Viggo Mortensen de David Cronenberg? Não é pelo simples fato de que Marcas da Violência, Os Senhores do Crime e até o filme sobre Freud e Jung são mmmuitooooo melhores que Cosmópolis e Maps to the Stars. Cronenberg desenvolveu alguma tara pelo astro de Crepúsculo. Em seu segundo filme com ele, é a segunda vez que mostra Pattinson no banco de trás de uma limosine fazendo sexo anal com atrizes muito especiais (Juliette Binoche e agora Julianne Moore). O filme passa-se em Hollywood e é sobre uma família para a qual deveria ser inventada a definição de disfuncional. Não tenho nem vontade de dar os detalhes, mas, como vocês sabem, de perto ninguém é normal. Papai, mamãe, o filho teen astro de cinema,. a revelação sobre a personagem de Mia Wasikowska, a Alice de Tim Burton, é um coquetel de horror sob medida para mostrar que, grande descoberta, o mundo está doente. A novidade é que Cronenberg resolveu mudar, substituindo o pathos pelo humor. Fez uma comédia, ou o que se assemelha a uma comédia, para falar sobre gente neurótica e as excentricidades da fauna de Hollywood. As grandes piadas sobre personalidades conhecidas fazem parte do tom geral. M… de humor. O filme é bobo, não tenho outra definição. Em compensação, reafirmo aqui o que já disse na rádio, pela manhã – Cannes abriu a temporada do Oscar 2015. Duvido muito que Foxcatcher, de Bennett Miller, não esteja entre os indicados no ano que vem. Miller filma com o pé na realidade e, depois de Capote, que deu o Oscar para Philip Seymour Hoffman, ele conta a história do milionário John Du Pont, que formou uma equipe de lutadores para a Olimpíada de Seul e matou a tiros o irmão do astro de sua delegação. Du Pont é um dos personagens mais sinistros que Hollywood colocou na tela ultimamente. Vou roubar a piada que um colega brasileiro fez – ele é, por sua participação na indústria de armamentos, o Tony Stark do mal. Channing Tatum e Mark Ruffalo fazem os irmãos Mark e Dave Schultz, mas o show é de Steve Carrell. E não é que o virgem de 40 anos, de nariz postiço e tudo, está extraordinário como Du Pont? Até por isso, o nariz posdtiço, o palhaço num papel tráfico, Foxcatcher já é, tanto tempo antes, uma aposta para o Oscar. Anotem o que digo. Sexo, poder e dinheiro, com uma pitada de homoerotismo – que também havia em Capote, sem ser o tema principal, mas que ajuda (psicanálise de botequim) a entender porque Du Pont se ligava àqueles rapazes musculosos. É todo um mundo do poder e do dinheiro que está se desintegrando nesse festival – Welcome to New York, Foxcatcher e vários outros filmes na Croisette. O mundo termina, o filme, quando é bom como Foxcatcher, permanece.

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