As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Diario de Cannes (12)

Luiz Carlos Merten

18 de maio de 2014 | 17h20

Festival de Cannes
CANNES – Passei o dia correndo, e por conta disso não pude postar para dar notícias. Ontem, depois do evento Abel Ferrara, estava correndo para o palais, para ver o filme a meia-noite, um western com Mads Mikkelsen, mas fui atraído pelos sons do Cinéma de la Plage. Sergio Leone, Tres Homens em Conflito em copia zero bala. Eli Wallach corre no cemitério e a suíte de Ennio Morricone é de uma beleza que eu parei, na hora. Não consegui me mover. Fiquei ali parado, só olhando, e ouvindo. Comecei a manhã assistindo ao Tommy Lee Jones, mas tenho de confessor que tive de abandonar a sala faltando uns 15 minutos do final. Estava gostando de Homesman, que não é bem um western, mas se passa num cenário de western. Hilary Swank escolta trêss loucas – sim, três mulheres que saíram da casinha – e recruta Tommy Lee para ajudá-la. A situação é inusitada e dá origem a cenas de um patetismo que me tocou. Ocorre uma reviravolta brutal. Ainda não sei como termina, mas foi por uma boa causa que deixei a sala – fui entrevista Paz Vega, a Callas de Olivier Dahan, que estrela The Pilgrim. O filme inspirado na vida de Paulo Coelho estreia em 14 de agosto nos cinemas brasileiros. É o primeiro longa de meu vizinho Daniel Augusto, que mora ali perto, em Pinheiros. Adorei entrevistar a intérprete de Lucí e o Sexo, até porque ela confirmou que, sim, o que interpretei de Grace de Mônaco e me fez gostar do filme (um pouco, pelo menos) foi o que Dahan queria. Assisti a um bom venezuelano na Semana da Critica, Gente de Bem, de Franco Lolli, emendei com as entrevistas de Saint Laurent e quando me dei conta já estava assistindo ao Lisandro Alonso, Jauja.Não sabia que o filme era parceria do Canal Brasil e da Bananeira Filmes, de Vania Cattani, com empresas da Argentina e da Dinamarca. Linsandro não é mole não, e com Viggo Mortensen, então… A história evolui de um jeito e aí tem uma ruptura, vira outro filme. Não via nada parecido em Cannes desde que Apichatpong Weerasethakul propôs uma fissura parecida com Mal dos Trópicos, lembram-se? Apichatpong rendia-se às sensualidade da floresta, Alonso busca a dureza do deserto e da pedra. Fiquei impactado. E Jauja, como Homesman, se passa num cenário a perder de vista, uma terra plana, exceto na parte final, quando Alonso vai com sua câmera para a montanha e as pedras. Dei uma pausa para redigir meus textos de amanhã no Estado, Jantei e estou indo ver o David Cronenberg, Maps to the Stars, com Robert Pattinson e Julianne Moore. Esse Pattinson também não é mole. Li entrevista dele dizendo que, após a saga Crepusculo, é seu momento de ousar, de testar seus limites, de provar a si mesmo a que veio, afinal de contas. É seu segundo filme com o diretor, após Cosmópolis. Robert Pattinson, o novo Viggo Mortensen de Cronenberg?

Tudo o que sabemos sobre:

Festival de Cannes

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências: