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Diário de Cannes (1)

Luiz Carlos Merten

14 de maio de 2014 | 04h27

Festival de Cannes
CANNES – Madrugada no Brasil e eu, cinco horas à frente, já estou pronto para iniciar a maratona. Daqui a pouco, 10 da manhã daqui (5 horas aí), teremos a sessão de imprensa de Grace Kelly, seguida pela coletiva do filme de Olivier Dahan com Nicole Kidman. Depois, teremos outra coletiva, a do júri, presidido por Jane Campion, única mulher – em 67 anos de festival – a ganhar a Palma de Ouro. Nenhum representante da família Grimaldi, que reina em Mônaco, estará presente, à noite, na montée des marches. A objeção da família ao foco de Olivier Dahan é que ele desvendaria muitos segredos, exporia muitas conspirações. Daqui a pouco eu conto o que achei. Falei, no post anterior, da rivalidade entre François Truffaut e Jean-Luc Godard, os gigantes da nouvelle vague. Não sou louco de não reconhecer as importância dos dois, mas, como escrevi anteriormente, gostar, gostar mesmo, só de forma muito pontual. Prefiro certos filmes de Claude Chabrol, de Jacques Demy e Eric Rohmer, e para ser honesto comigo mesmo teria de admitir que quem envelheceu melhor, mais criativo, dessa geração foi Jacques Rivette, com o extraordinário Ne Touchez pas la Hache, um filme clássico na sua modernidade (e vice-versa). Havia pegado alguns jornais – El Pais, La Repubblica – e, no segundo, Godard diz, numa entrevista, que não sabe se virá a Cannes para a exibição de seu longa em concurso. Depois de anunciar que ainda é um autor jovem – “Fiz somente 47 filmes” -, ele provoca. Diz que num grande festival como Cannes o cinema é o que menos conta, ou interessa. Godard acrescenta que Adeus à Linguagem, o novo filme, é misterioso e continuará sendo depois de Cannes. O trailer está no YouTube, mas ninguém está fazendo caso, e ele diz uma coisa deveras interessante – sua atração pelo 3-D não tem nada as ver com ditames de técnica e produção contemporâneos. O 3-D que o move é o de Abel Gance, lá atrás. Napoleão. Só isso já me fez ficar curioso pelo filme dele. Lá vou eu. Não posso me arriscar a perder a sessão de Grace Kelly.

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