As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Diário de Berlim Dia 5

Luiz Carlos Merten

24 de fevereiro de 2020 | 12h41

BERLIM – Temos tido interpretações masculinas fortes – Elio Germano, os atores de First Cow. Entre as mulheres, o brilho está com Mawusi Tulani, que faz a ex-escrava em Todos os Mortos. Está, ou estava? nesta segunda, surgiu Nina Hoss.
Competição
O dia começou com a sessão de imprensa de Effacer L’Histoire, Apagar a História, dos belgas Benoit Delépine e Gustave Kervern, que conta as histórias cruzadas de três personagens, duas mulheres e um homem, cujas vidas giram em t6yorno do celulasr e das possibilidades de consumo que ele oferece. Uma das mulheres é viciada em séries. A outra, e o homem da trama, querem apagar vídeos comprometedores que já estão na ‘nuvem’. O dela é uma cena de sexo filmada por um vigarista que encontrou num bar; o dele, é o bullyng da filha, na escola. O trio compromete-se cada vez mais, endivida-se cada vez mais Planos de saúde, pacotes de TV paga e internet, delivery, etc. O conforto da vida moderna naquilo que tem de mais alienante. As pessoas na sessão riam alucinadamente. A moral da história – olha o spóiler – é que a coisa vai num crescendo até Denis Podalydès redescobrir o valor da vida simples, lançando seu celular… Ops! Eu, que já não tenho celular, entendi a crítica, mas não estou isento do estresse porque o cerco funciona também com telefones fixos. Não é um filme de que tenha gostado muito, mas creio que leva jeito de repercutir como sintoma desses tempos modernos.
My Little Sister, de Stéphanie Chuat e Véronique Reymond, é o típico drama burguês. DR – discutir a relação, num meio intelectual, de teatro. A originalidade que o filme possui é que, apesar do casal com um casal de filkhos, o focop está na relação entre irmãos. Lars Eidinger, o oficial nazista de Persian Lessons, faz um, ator que está morrendo de câncer. Nina Hoss é a irmã dramaturga. São irmãos gêmeos, ela nasceu dois minutos depois dele. Nina dedica-se mais ao irmão que ao marido e aos filhos. A vida familiar entra em colapso. Marthe Keller faz a mãe que não aguenta mais a situação. Talvez seja machismo – será? -, mas ela entende muito mais o lado do genro que do casal de filhos, essa dedicação/dependência absurda. Os coleguinhas torceram o nariz. Eu achei bem interessante, e o elenco – fantástico.
Brasil
Estou no mesmo hotel com Paula Gaitán e Eryk Rocha. Tomasmos um café no bar, agorinha, Eryk e eu. Ele me falou maravilhas do filme de Paula, que passa amanhã – terça – à noite. Luz nos Trópicos é um cruzamento de histórias inspiradas em cosmologias indígenas. Brincamos, porque o filme tem 200 e tantos minutos, cerca de quatro horas, e isso dá duração de uns três filmes regulares. Num festival, e não sendo da competição – está no Forum -, pode ser um, problema, mas cabe dizer que os ingressos para a primeira sessãso estão esgotados. Poderosa Paula! Eryk é filho, mas sua admiração por Luz é intelectual. Ele me garantiu que se trata de uma experiência única, em termos sensoriais e emocionais.

Tendências: