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Diário da Croisette (6)

Luiz Carlos Merten

16 de maio de 2013 | 15h38

CANNES – Saí correndo da sessão do novo Jia Zhang-ke e vim para a sala de imprensa para redigir meu material de amanhã do Caderno 2. Só por isso não postei imediamente que, no segundo dia, já surgiu o primeiro grande filme da competição, e é justamente o novo Jia, A Touch of Sin, Um Toque de Pecado. O cinéfilo que acompanha o autor, e como não acompanhar?, sabe que Jia é um crítico feroz da economia de mercado instalada na China. Seu tema é a desumanização da vida do país em nome do progresso econômico. A novidade é que o diretor, alertado pelas histórias de violência na China atual, mostra, em quatro episódios, a reação dos deserdados. No primeiro, um homem cansado de tentar denunciar o dirigente local – a ação passa-se numa cidadezinha do interior – pega em armas e vai à caça dos ‘animais’. A carnificina segue nas demais tramas. Fiquei pasmo. E fascinado. Puta filme. Ainda na primeira história, há um homem que bate com o chicote em seu cavalo. O protagonista o despacha para o inferno que o cara merece e o cavalo, antes empacado, agora corre solto. A metáfora de Jia…

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