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Diário da Croisette (4)

Luiz Carlos Merten

16 de maio de 2013 | 05h58

CANNES – Ontem estava desconcertado com o filme de Amat Escalante, mas hoje tenho de admitir que pensei bastante em Heli e seu aspecto documental agora me parece bem interessante. Mas nada que se compare a Bela e Sexy, Belle et Sexy, o novo François Ozon, que abriu o segundo diksa do 66.º Festival de Cannes. É um diretor pelo qual tenho a maior estima. Filma muito, nem sempre acerta, mas mantém um nivel médio muito bom, e volta e meia surpreende. Dans la Maison, que ainda está no Brasil, é uma obra-prima. Bela e Sexy não chega lá, mas fica perto. Uma garota de 17 anos se prostitui. O filme começa com o olhar do irmão mais jovem sobre ela. Puro voyeurismo. A própria garota é voyeuse. Assiste a pornografia pela internet. Forma sua rede de clientes, junta dinheiro – para quê, se não precisa de verdade? Um dos clientes morre, a situação copmplica-se. Ozon integra canções de Françoise Hardy, dos anos 1960 e 70, à trama. Parecem escritas para o filme. A narrativa é cheia de lacunas intencionais. Nunca sabemos exatamente por que Isasbelle – Léa é seu nome de guerra – faz o que faz. O mistério do filme vem daí, Culmina na cena em que a garotas volta à internet e a cliente é as viúva do homem, que morreu e que quer conhecer a última amante do marido. Charlotte Rampling, uma habitué de Ozon, é quem faz o papel. Guarde o nome da jovem que faz Isabelle – Marina Vatch. É um assombro. Tem um quê de Julia Roberts. Difícil imaginar o que se passa pela cabeça dela, com seus olhos melancólicos e o sorriso que tem algo de esfinge. Pode ter nascido aqui, hoje, uma estrela.

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