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Diário da Croisette (26)

Luiz Carlos Merten

25 de maio de 2013 | 21h25

CANNES – Alain Delon se atrapalhou e trocou datas no palco da Sala Claude Debussy, mas ninguém pareceu se dar conta disso. Durante toda a semana, a imprensa francesa falou que Delon seria homenageado em Cannes e, na sexta, ele deu uma entrevista que virou capa de Le Fígaro, lembrando suas experiências no maior festival do mundo. O diretor artístico do evento, Thierry Frémaux, aproveitava cada apresentação de filme em Cannes Classics  para corrigir – a homenagem não era para o astro e sim, para o diretor René Clément, cujo centenário está sendo comemorado em 2013. A homenagem, propriamente dita, consistiu na exibição da versão restaurada de Plein Soleil, O Sol por Tetemunha, de 1959, que foi o quarto filme de Delon. Luchino Visconti viu-o no papel do assassino Tom Ripley e deu por encerrada a busca de seu Rocco. O resto é história. Delon estourou internacionalmente com O Sol por Testemunha e o sucesso de Rocco e Seus Irmãos, a seguir, rapidamente confirmou o nascimento de um mito. Mas Delon errou. Ele disse que, na sexta, dia 1, comemorou-se o centenário de nascimento de Clément, daí a homenagem de Cannes a um dos diretores mais premiados de sua história (nos anos 1940 e 50). Para dizer a verdade, Clément, hoje incensado, não recebeu muito respeito da geração de François Truffaut e Jean-Luc Godard nos Cahiers du Cinéma. Ele nasceu em 18 de março de 1913 e morreu em 17 de março de 1996, na véspera de completar 83 anos. A coincidência é que Visconti, o grande diretor de Rocco, morreu no mesmo dia, 17 de março, só que 20 anos antes, em 1976. Foi uma daquelas apoteoses que sintetizam uma vida. Toda Sala Claude Debussy se levantou paras aplaudir Delon. Ele pediu ao público que reservasse seus aplausos para o final. Nova ovação e Delon disse que os aplausos não erasm para ele, mas paras Clément. Curvou-se perante o público e acrescentou, em alto e bom some, que Clément foi seu mestre ‘absoluto’. Na  entrevista para Le Fígaro, Delon conta que os irmãos Robert e Raymond Hakim, produtores de O Sol por Terstemunhas, não o queriam como protagonistas da adaptação do livro M. Ripley, de Patricia Highsmith. Uma reuniãso foi resalizada na casa de Clément, com o diretor, e Robert e Rasymond o desqualificaram. Clément estava concordando e quase aceitando quando, do fundo da sala, se ouviu a voz de sua mulher. ‘Chérri’, ela disse, você sabe que este filme só vai funcionar com ele (Delon). Ou sejsa, Clément e Visconti podem ter lhe dado suas bases, como ele gosta de dizer, mas sem a mulher de Clément Delon talvez não houvesse se transformado nessa figura mítica. O jovem Delon foi um dos homens masis bonitos do mundo, senão o mais belo do cinema de seu tempo. Uma mulher gritou ‘Beau’ (belo), quando ele subiu ao palco. Delon admitiu – ‘Não sei como, mas continuo (bonito). Está inteirão, melhor até do que há dois anos, quando aspresentou O Leopardo, de Visconti, em Cannes Clsassics. O Sol por Terstemunha, detestado pelsa nouvelle vague, sobreviveru melhor que muitos filmes dos jovens franceses da época. Delon não foi o único destaque de hoje de Cannes Classdics. Kimn Novak também veio apresentar Vertigo, Um Corpo Que Cai, de Alfred Hitchcock, eleito numa enquete da revistas Sight and Sound como o melhor filme de todos os tempos., Vai nisso certo exagero, mas Kim, como Delon, continuja ereta, e carnuda. A idade cai bem nessas pessoas que o tempo respeita.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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