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Diário da Croisette (25)

Luiz Carlos Merten

25 de maio de 2013 | 15h28

CANNES – Terminou agora a cerimônia de premiação da mostra Un Certain Regard e o júri  presidido por Thomas Vinterberg – e integrado por minha amiga Ilda Santiago, do Festival do Rio -, fez a coisa certa, atribuindo o prêmio de melhor filme a L`Image Manquante, do cambojano Ritty Pahn, que fala de sua infância como forma de se debruçar mais uma vez sobre a tragédia que foi a ditadura do Khmer Rouge em seu país. Foi um prêmio político e Ritty Pahn o dedicou ao iraniano Jafar Panahy, que virou, em todo o mundo, a referência do autor que se bate contra a opressão e a injustiça, por liberdade de expressão. O juri deu um prêmio especial para Hany Abu Assad – e eu confesso que preferiria que o prêmio principal tivesse sido dele, por seu belíssimo Omar, por mais defensavel que seja A Imagem Que Falta. Só essa ressalva jás colocas sob suspeitas minhas afirmação de que o júri fez a coisa certa. Vinterberg e seus jurados também esqueceram Grand Centrasl, de Rebecca Zlowosky, e isso sim foi grave, mas no geral a premiação foi boa. O júri atribuiu o prêmio de mise-en-scène (direção) a Alain Guiraudie, por L`Inconnu du Lac, que me causou forte impressão. Ilda Santiago entregou o prêmio para o elenco jovem de La Jaula de Oro e o diretor Diego Quemada Diez fez um discurso emocionante. Disse que o filme dele é sobre a juventude sem oportunidades da Guatemala, que sonha emigrar para os EUA. Ao lhes outorgar seu prêmio, o júri formado por representantes de diferentes nacionalidades mandou um recado. Era, é, como se mundo todo estivesse dizendo que eles (os atores) de Quemada Diez sao importantes e merecem um avenir (futuro). Antes que o júri anunciasse os prêmios, o presidente Vinterberg fez um discurso de agradecimento. Disse que uma das boas coisas do métier de quem faz cinema é criar momentos inesquecíveis, que ficam na memoria coletiva, esse espelho comum da existência humana. A seleção 2013 de Un Certain Regard, ainda segundo ele, foi ferozmente não sentimental, e poética. Foi política, original, desconcertante, variada e, acima de tudo, `unforgettable`. A premiação reflete essa diversidade. Só espero que o juri de Steven Spielberg siga o exemplo.

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