As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Diário da Croisette (22)

Luiz Carlos Merten

24 de maio de 2013 | 21h00

CANNES – Mal tive tempo de acrescentar o post sobre as decepção que me causou o novo James Gray. Cahiers du Cnéma escreve o que não deixa de ser um paradoxo. Gray, o obstinado, tambérm é Gray, o mal-amado. Desde Little Odessa, premiado em Veneza, todos os seus filmes têm estado na competição de Cannes, mas ele não ganha nada, e na França, onde é amado (e virou cult). Não há de ser The Immigrant que lhe valerá um prêmio. Só se der a louca no júri de Steven Spielberg. Emendei as entrevistas de Nebraska, de Alexander Payne, com as de A Vida de Adèle, de Abdellatif Kechiche. Embora seja de Omaha, Nebraska, e já tenha filmado aquelas paisagens a couple of times, ‘Alex’ – a gente vai ficando íntimo dos atores – disse que não teve nada a ver com o título. O script que lhe foi oferecido, e ele mudou um pouco, já tinha este título. Gostei das entrevistas de Nebraska e gostei mais ainda das de Adèle, embora Kechiche tenha cancelado o último grupo e  tenhamos tido, em consequência disso, uma minicoletiva.  Corri para o hotel e concluí meu material do dia para o Caderno 2, além de uma entrevista (com Chiara Mastroianni) para o domingo. terminei tudo isso às 18h30 (daqui) e fui dividido para o palais. Havia duas sessões de Cannes Classics que queria absolutamente ver, mas elas batiam, em diferentes locais. E agora – O Deserto dos Tártaros, de Valerio Zurlini, ou Lucky Luciano, de Francesco Rosi. Optei pelas segunda, porque o Zurlini era muito longo e me impediria de ver o Jim Jarmusch da competição, às 10 da noite. E também, confesso, queria ver o próprio Rosi, que deverias ter apresentado seu filme – ‘deveria’, porque o diretor de 90 anos (e cinco meses), ficou doente e, portanto, não pode viajar. Antes do filme, e emendada nele, houver uma apresentação de Martin Scorsese. Confesso que muitas vezes me sinto culpado. Cada vez mais acho que Scorsese virou uma m… de diretor, com filmes que não me interessam muito, exceto Hugo Cabret, e não porque ache que seja um grande filme, mas porque assinala o reencontro do cineasta com a produtora Barbara De Fina, com quem  ele fez seus melhores filmes. Scorsese faz uma análise tão sucinta quanto brilhante e eu sempre fico pensando se ele improvisas ou se lê, no teleprompter, algum texto que poderás ter escrito da própria ‘lavra’. Minha culpa vem daí – esse cara gosta dos mesmos filmes que eu e eu não consigo gostar dos filmes dele, sorry. No meu imaginário, não acreditava que Lucky Luciano fosse um grande Rosi, como O Bandido Giuliano, Le Mani Sulla Città, O Caso Mattei ou Três Irmãos,. mas é e Gian-Maria Volontè é extraordinário no papel. Do Rosi corri para a Sala Bazin para recuperar o filme da competição, das 8 da noite. O cinema de gênero tem decepcionado na seleção cannoise de 2013. Gostei, ou pelo menos achei simpático o detetive cego de Johnny To, com o carismático Andy Lau, mas Takashi Miike e Nicolas Winding Fern, francamente, só batendo. E aí veiop o Jasrmuisch, com seus filmes de campiros, em que Tilda Swinton e Tom Hiddleston atravessam os séculos e a histórias das literatura. Shaklespeare, Christopher Marlolwe, Schubert, uma plêiade de roqueiros do século 20 – Hiddleston é om inspirador de todos. Como todo Jarmusch, Only Lovers Left Alive é cool, irônico e, destas vez, também singularmente romântico. Os vampiros compram, sangue de hospitais e, no limite, quando são forçados a atacar as pessoas,. Hiddleston e Tilda não matam, convertem. achei bem bom, mas não necessariamente grande. Amanhã péla manhã – daqui a pouco – passa o último filme da competição. Polanski! Há uma tradição aqui em Cannes que diz que, em geral, vencem os filmes dos últimos dias (e do último dia). Vejo La Venus à la Fourrure e logo em, seguida posto para conversar com vocês.

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.